Tetila e Biasotto

“Os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor” – (Salmos 37:23-24)                                                                                                                                               

Há certos momentos na vida em que, mesmo diante da dor e da tristeza, é possível controlar-se, mas, ao perder um irmão como o Wilson Biasotto, para mim e para minha companheira Zonir, não nos foi possível conter o pranto.

Biasotto é de minha idade e de minha casa. Conheci-o no começo dos anos setenta, vindo, como eu, do interior paulista. Desde então, tínhamos muitos sonhos, muitos ideais em comum pela frente.

Professor e sindicalista como eu e ambos fazendo parte da Rede Estadual de Ensino, juntos fizemos a luta pela implantação da Associaçao Douradense de Professores (ADP), da qual exercemos a presidência, tendo sido parceiros na criação do jornal Quadro Verde (editado há mais de quarenta anos) e na edição do livro “Movimento Reivindicatório do Magistério do MS”.

Fizemos pós-graduaçao pela Universidade de São Paulo (USP) e, como professores universitários, chefiamos o mesmo Departamento, o de Ciências, na UFMS. Por essa mesma universidade, foi eleito Diretor Geral do campus da UFMS, em Dourados.

Nessa mesma instituição, e sob sua inconteste liderança, foi o grande formulador e articulador da proposta da Cidade Universitária de Dourados. Também, por 22 anos, juntos lutamos pela criação e implantação da Universidade Federal da Grande Dourados, a UFGD. E, sendo sincero com a própria consciência, Biasotto foi o ícone, a expressão máxima na conquista dessa universidade, que é, para muitos, o maior projeto de Dourados, pós- Colônia Agrícola Nacional.  

Petista na verdadeira acepção da palavra e ardoroso defensor da dignidade humana, foi vereador desta cidade, como também o fui. Como acadêmico, mestre, doutor, foi o criador e diretor do Teatro Universitário de Dourados (TUD). E como escritor-membro da Academia Douradense de Letras honrou-me, recentemente, com o prefácio de meu quarto livro, “Que Cristianismo é esse?”.

Progressista, humanista de primeira grandeza e estando na plenitude de sua maturidade intelectual, sem dúvida, tinha que ser o nome que escolhi para a Secretaria de Governo, quando prefeito de Dourados.

E com que amor, com que entusiasmo e sabedoria Biasotto coordenou toda a nossa equipe, não só criando magníficos projetos, como incluindo Dourados no Programa Internacional das Cidades Educadoras, o qual, pela primeira vez, elevou Dourados positivamente em nível mundial, desfazendo, definitivamente, a imagem triste de cidade violenta, de Cidade “Portal do Inferno”.

Para Heleninha, Mirella, Millene e Etienne fica a certeza de que o Wilson, além de superpai, foi um grande amigo do teatro, das letras, da ciência, da cultura, da dignidade humana, mas foi nas trincheiras da luta, principalmente na Educaçao, que mais se encontrou, amou e se jogou.

Na Educaçao é que Biasotto deixou o seu grande legado a juventude douradense e de todo o país. E de tudo que foi na vida, de todos os títulos que obteve, seu maior orgulho, com a mais absoluta certeza, foi o de ser chamado professor!  Como tal, é que deixou a sua marca, o seu rastro de luz!      

Expansivo, sempre sorridente, fácil se torna imaginá-lo recebendo o abraço fraterno do Rabi da Galileia, que, sem dúvida, já o convidou: Biaza, mestre bendito! Professor que não hesitou em combater o bom combate. Recebo-o com muito carinho, com alegria! Venha passar a eternidade conosco!  

                                                     Prof. José Laerte C. Tetila

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