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Deputados usam Aborto, CPMF e xingamento para se defenderem

Política – 03/12/2007

Correndo o risco de perderem os mandatos, o deputado federal Geraldo Resende (PMDB) e Ari Artuzi (PDT), apresentaram à Justiça Eleitoral as suas defesas à Justiça usando argumentos variados, como aborto, CPMF e xingamento. Os deputados são réus em processos abertos pelos seus partidos anteriores (PPS e PMDB respectivamente), que pedem os mandatos dos deputados com base na Lei de Fidelidade Partidária. Segundo a Lei, os parlamentares que trocaram de partido depois do dia 27 de março, sem justificativa plausível, devem ser cassados.
 
Geraldo Resende disse que saiu do PPS porque o partido socialista é a favor do aborto e contra a CPMF. Resende também acusou o PPS de ser um apêndice do PSDB e do PFL, partidos de oposição ao Governo Lula. Nesses aspectos, Geraldo só esqueceu de dizer que vários parlamentares e políticos do PMDB também são contra a reedição da CPMF e também fazem oposição ao presidente Lula, inclusive o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, que durante a campanha presidencial atacou Lula inclusive com xingamento. Além disso, Resende Ficou contra Lula na campanha, apoiando Geraldo Alkimin (PSDB) e por vários meses do seu atual mandato colocou-se como oposição ao presidente.
 
Quanto a questão do aborto, o deputado também não lembrou que o seu colega peemedebista e governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, protagonizou um polêmica de repercussão nacional ao defender o aborto como forma de controle social e da violência. Para complicar a situação de Geraldo, ainda neste ano, ele participou de campanha publicitária do PPS, em muitas inserções na televisão, onde dizia uma frase marcante: “venha você também para o PPS, um partido descente”, contrariando todas as suas teses de defesa.
 
Resende também não explicou em sua defesa porque demorou tanto tempo para decidir sobre sua mudança. Aliás, em suas mais recentes entrevistas ele tem colocado que a demora por tomar essa decisão foi o seu pecado. Contudo, durante todo o longo período em que sua saída do PPS para o PMDB foi colocada em discussão na imprensa por ele e por outras personagens envolvidas, em nenhum momento essas teses agora colocadas por ele foram ventiladas. À época, só se vinculava a sua saída do PPS a uma melhor e mais forte estrutura partidária para a disputa da Prefeitura de Dourados, que o PMDB ofereceria e o PPS não poderia oferecer. Essa justificativa foi colocada pelo próprio Geraldo Resende em entrevistas concedidas à imprensa.
 
Já o deputado estadual Ari Artuzi preferiu a tese de “perseguição”, justificativa prevista pela Resolução do TSE como aceitável para a troca de partido. Artuzi afirma que era perseguido pelo PDMB e pelo governador André Puccinelli. Cita que o governador chegou a chamá-lo de “animal de pelo curto” (sem dizer o que o codinome significa) e que em certa ocasião o governador teria ridicularizado seu aspecto físico. Na semana passada o governador afirmou que Artuzi é “homem inculto, mas inteligente”, em uma provável explicação de afirmações anteriores.
 
Contudo, Artuzi também esqueceu de dizer algumas evidências que podem pesar contra ele na balança da Justiça, como o fato de que seu grupo político detinha 50% do Diretório Municipal do PMDB em Dourados, e que torna pouco crível a tese de perseguição. Outro fator importante foi a discussão pública através da imprensa entre ele e o governador, em que sempre André Puccinelli afirmou que o candidato de Dourados seria escolhido através de pesquisa, fato que favoreceria Artuzi, pré-candidato, hoje, melhor colocado.
 
Artuzi em nenhum momento diz, também, que por diversas vezes disse que poderia sair do PMDB porque temia não ser escolhido o candidato do partido à Prefeitura de Dourados. Sua exigência de ser oficializado como candidato do PMDB a prefeito e sua conseqüente saída desse partido, confrontam à tese de perseguição. Para a Justiça, pode parecer muito mais um capricho de Artuzi que o PMDB não quis aceitar. Ari também esqueceu de dizer que só decidiu sair do PMDB depois da entrada de Geraldo Resende, que teoricamente concorreria com ele à indicação do partido.

Fonte: Folha de Dourados

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