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Deputados de MS não devolverão dinheiro das passagens

Política – 23/04/2009

Em que pesem os protestos dos parlamentares, Câmara dos Deputados e p Senado Federal decidiram extinguir a cota mensal e criar uma verba de transporte aéreo. No Senado a verba será correspondente a cinco trechos aéreos, de ida e volta, da capital do estado de origem do parlamentar a Brasília. Antes dessas medidas, os parlamentares voavam à vontade, com a família. Por enquanto foi divulgado o levantamento da Câmara Federal. Não há informação sobre o uso das cotas por senadores. Os parlamentares federais não apenas voavam, mas também cediam passagens a parentes, amigos e apaniguados. O campeão dessas mordomias é de Mato Grosso do Sul, o deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT-MS), que iniciou carreira como ajudante do ex-governador Marcelo Miranda, na segunda metade da década de 80, foi secretário do Trabalho no governo Wilson Martins e diretor do Detran no governo de Zeca do PT. Proporcionalmente, a bancada de Mato Grosso do Sul é uma das que mais se beneficiaram das válvulas de mordomias que a teia legislativa permite, sob a manta da legalidade, mesmo que a prática seja imoral. Procurado pela TV Morena e Portal TV Morena, o deputado disse estar cumprindo agenda no Norte do Estado e não retornou às ligações, mas falaria oportunamente. O deputado admite ter usado 20 passagens para viagens internacionais. Mas levantamento divulgado na internet e confirmado pela Câmara diz que ele usou 40 passagens e fez périplos nos Estados Unidos, Europa e Argentina. Em rápida entrevista à Rede Globo, Dagoberto disse que duas viagens foram a trabalho. Outras duas não. Na Câmara Federal, pelo levantamento divulgado nesta semana, 261 dos 513 deputados cederam passagens internacionais a parentes. O campeão nacional de mordomias aéreas, Dagoberto Nogueira, requisitou nada menos que 40 passagens com destinos questionáveis, entre eles alguns dos principais centros turísticos do mundo – Milão, Paris, Nova York e Buenos Aires. Dos oito deputados federais da bancada do Estado, quatro desfrutaram das mordomias, segundo divulgou o site Congresso em Foco. O segundo da bancada de MS no ranking é Waldir Neves, do PSDB. Ele usou 14 passagens internacionais. Depois, aparece Waldemir Moka, presidente regional do PMDB, com 12 passagens, seguido por Geraldo Resende, neo-peemedebista oriundo do PPS, com duas passagens. A explicação dos deputados de Mato Grosso do Sul é basicamente a mesma: todos admitem o uso, mas informam que não vão devolver o dinheiro da passagem por que a Câmara não proibia essa prática. O deputado Waldemir Moka divulgou nota oficial afirmando que apóia a decisão de restringir as passagens e garante que não cometeu nenhuma ilegalidade ao patrocinar viagem para terceiros com dinheiro público. A mesma explicação foi dada pelos deputados Waldir Neves, Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende. Segundo eles, o Regimento Interno da Casa não previa, até então, normas para uso da cota e a prática era comum entre os parlamentares. Nesta quarta-feira o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), que também admitiu ter repassado passagens para parentes, anunciou novas regras. A partir de agora os deputados só terão direito a passagens para vôos domésticos (dentro do país). Nesses voos não há classificação. Em voos internacionais há primeira classe, a classe executiva e a classe turística. O repasse de passagens a assessores será permitido somente quando eles estiverem em serviço, representando parlamentares e com autorização prévia da 3ª secretaria da Mesa diretoria. Todos os gastos serão publicados na Internet, segundo Temer.

Fonte: TV Morena

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