‘Depois diz que é crente!’, por João Pires
Opinião – 15/07/2009
João Pires de Almeida Jr. (*)A opinião pública é implacável, da mesma forma que ela pode influenciar de forma positiva em um determinado segmento, ela também pode destruir tudo aquilo que ela mesma ajudou a construir. Na política não poderia ser diferente, basta que o representante, que foi eleito por esse mesmo público, desagrade os conceitos pré-estabelecidos para uma boa conduta enquanto parlamentar, para que os elogios dêem lugar às criticas. E se esse político é evangélico então, meu Deus do céu! De certo modo, mesmo de forma errônea, ou evangélicos sempre serviram como referência quando o assunto é relacionado ao convívio social, e isso por lado um lado é bom, pois valoriza a própria religião evangélica, visto que a mesma, como o próprio nome diz, representa os ensinamentos do evangelho de Cristo para o mundo. Em contrapartida, esta cobrança é tão forte dentro da sociedade, que basta um pequeno deslize desse cristão para que ele seja julgado por muitos, e na maioria das vezes por aqueles que não têm a mínima qualidade para julgar. O pior ainda é quando se houve aquela conhecida frase: “Depois diz que é crente!” Como se pelo fato de pertencer ou acreditar em algo, fosse sinônimo de perfeição. O mais curioso ainda é que pouco ou nada se cobra do católico por pertencer à religião católica, do espírita por acreditar no espiritismo, do maçom por fazer parte da maçonaria ou até mesmo do ateu por assumir seu posicionamento.Na Bíblia existem vários exemplos daqueles que não se hesitaram em julgar e condenar o próximo. Um deles é a história da mulher adúltera, quando os fariseus (aqueles que oravam nas praças e sentavam nas primeiras fileiras das sinagogas) e da mesma forma os escribas (conhecedores da Lei de Moisés), levaram uma mulher flagrada em adultério (pecado de morte na época) na presença de Jesus. E como muitos já conhecem o final desse episódio, o próprio Jesus argumenta: “Aquele que não tem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra”. E logo depois ele pergunta: “Mulher, onde estão aqueles que são os teus acusadores? Ninguém te condenou?”, e ela responde: “Ninguém Senhor!”.Não quero com este artigo isentar ou julgar às ações de qualquer que seja a pessoa, independente da religião ou instituição que esse cidadão represente, pois se assim eu fizesse estaria consequentemente caindo no mesmo erro de muitos. Porém em minha opinião envolver a crença do indivíduo nas questões políticas, não contribuí em nada para a democracia e muito menos para o bem. Mal é o que pratica tal hábito! Acadêmico do 4º ano de Jornalismo – Unigrane-mail: [email protected]
Fonte: Folha de Dourados



