Dengue: população tem que colaborar
Editorial – 03/12/2007
Na iminência de mais um surto da dengue, com a chegada do verão chuvoso em Mato Grosso do Sul, é salutar abordar uma questão tratada até como tabu em nível de Brasil: a participação popular nas decisões e nas ações de interesse da sociedade.
Ocorre que, geralmente, as pessoas tendem a deixar ao Estado todas as responsabilidades sociais, com o pretexto de que é o povo quem paga os impostos e, portanto, neste raciocínio, são os governantes quem teriam a missão exclusiva de solucionar os problemas do país.
Em tese, essa premissa tem lógica. Mas, na prática e diante das circunstâncias contextuais num país de terceiro mundo não convém a ninguém acreditar na onipresença e onipotência do Estado, ainda mais quando se trata de questões de saúde e da própria vida. A dengue é doença típica dos trópicos e de países subdesenvolvidos.
O Estado brasileiro realmente foi omisso e irresponsável em permitir a volta das epidemias de dengue nos últimos anos, uma doença que se acreditava erradicada em meados da década de 80 do século passado. A nova infestação através do mosquito transmissor, aedes aegypti, já ceifou centenas de vidas, muitas em Mato Grosso do Sul. É uma lástima e retrata o caos na saúde pública do Brasil.
Entretanto, com as recentes epidemias da doença é visível a preocupação e o esforço do Ministério e das secretárias estaduais e municipais de Saúde Pública, no sentido de controlar a dengue. As ferramentas de combate são campanhas publicitárias intensas na mídia, mutirões de limpeza, ações preventivas através dos PSFs, escolas, postos de saúde, enfim, estão sendo tomadas uma série de medidas, mas infelizmente sem a eficácia desejada.
Contudo, a maioria absoluta da população tem conhecimento sobre a doença. Sabe quem transmiti, com é a transmitida, os sintomas e, principalmente, tem conhecimento de como se prolifera o mosquito da dengue. E aí está o xis da questão. É inadmissível as pessoas deixarem o transmissor se reproduzir dentro e nas proximidades de suas casas, colocando em risco a vida dela própria, da família e dos vizinhos. É um acinte intolerável. A dengue não será vencida sem a participação efetiva da população. Mais do que nunca é necessária à interação entre o povo e seus governantes para vencer a batalha contra a dengue. E por razão de justiça, o Estado brasileiro vem fazendo sua parte, enquanto que a população vem deixando a desejar.
Fonte: Folha de Dourados



