Alan Guedes e seu candidato a vice-prefeito, Carlos Augusto Moreira

O anúncio do nome do médico Carlos Augusto Moreira como companheiro de chapa do candidato dos Progressistas Alan Guedes pode ser um indicativo da posição da prefeita Délia Razuk, que, se nutria alguma esperança de recandidatura, viu tudo indo por água abaixo depois da descoberta de que nem filiada ao PTB de Delcídio do Amaral ela era. Carlos Augusto, o “Dr. Guto”, como é conhecido, é filho da inseparável e fiel escudeira de Délia, Eliane Azambuja e de Luiz Cláudio Moreira, irmão do ex-prefeito José Elias Moreira, um dos conselheiros da prefeita.

Pode até parecer um arranjo natural, até porque, como sugere o release da assessoria do candidato progressista, os dois guris, ainda, jogaram bolitas juntos; são douradenses da gema e amigos desde criança. Um arranjo que além de tentar fazer frente ao poderio da chapa governista estadual Barbosinha-Valdenir traz em seu arcabouço a miragem do que deve ser um relento no entremeio em que o deputado Neno Razuk ficará sem mamãe no poder para alavancar sua reeleição, em que pese, como sempre pesou, todo o prestígio do habilidoso e poderoso papai Roberto Razuk.

E se Délia Razuk fez que não viu que se abrisse a porteira para o que pode ser um estouro de boiada é porque está partindo da premissa de que são muitos os descontentes, muito mais, ainda, levando-se em conta o extenso currículo de gestor dos mais competentes do principal adversário de Alan Guedes, o deputado Barbosinha. Descontentes não apenas pela falta de espaço no chapão do candidato do governador Reinaldo Azambuja e do deputado Zé Teixeira, mas, principalmente ela, sabendo que não há mais como enfiar gente na administração municipal, vislumbrando, de antemão, um mar de defenestrados – a maioria, cabos eleitorais em potencial do filho Neno no momento em que ele mais iria precisar, para tentar a reeleição.

Aliás não foi Délia Razuk quem deixou que a porteira fosse aberta. Dias atrás um prócer emedebista já havia adiantado, enigmaticamente, a este blog, que a prefeitura cairia no colo do vereador Alan Guedes. Tanto que o presidente da Câmara estufou o peito e até já começou a “fazer doce”, dando uma banana para os socialistas que tentavam uma composição com ele de candidato a vice-prefeito do médico Davi Infante. Não apenas pelos socialistas, em si, mas pelo potencial que isso pode significar quando o pano de fundo é a sucessão estadual com Ricardo Ayache, presidente da Cassems como candidato a governador.

Ao bom observador, aliás, nesta mesma direção, não passou despercebido o esforço do sempre frio e calculista Murilo Zauith para dar um tom mais eloquente e emocionante ao seu discurso durante a convenção que homologou a candidatura Barbosinha. Na linha do “pra não dizer que não falei das flores”, o vice-governador, que anda pisando em ovos, pode até, ali na frente, usar como desculpa sua estafante tarefa para terminar o Aquário do Pantanal, daí a falta de tempo para mexer com eleição no interior, mesmo que seja em Dourados, sua base eleitoral.

Não que isso tudo seja problema para quem intencionava fazer uma campanha dentro do mísero orçamento estabelecido pela Justiça Eleitoral. Num palanque onde está Reinaldo Azambuja e seu correligionário Zé Teixeira isso é fichinha. O problema, em sí, é o tal do estouro da boiada.

(Valfrido Silva)

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