Delegada encerra inquérito e pode pedir novas prisões
Maníaco da Cruz – 17/10/2008
A delegada de Atendimento à Infância e Juventude, Maria de Lourdes Cano, deve divulgar nesta sexta-feira o resultado do inquérito que apura as circunstâncias e a quantidade de envolvidos nos crimes cometidos pelo adolescente que matou três pessoas em Rio Brilhante, sempre deixando as vítimas em posição de crucificação.
Ela acredita que pelo menos 5 amigos do adolescente sabiam dos crimes e todos podem ser punidos por isso. Quatro admitiram que viram as roupas e objetos das vítimas, guardadas pelo maníaco após as execuções.
Quando chegaram ao adolescente, no quarto dele, os policiais encontraram jornais com notícias sobre os crimes, posters do criminoso paulista conhecido como Maníaco do Parque, objetos como a blusa, o celular e uma pulseira de Gleice Kelly, de 13 anos, a terceira e última vítima.
O assassino também guardava o celular de Letícia, a segunda executada e o canivete usado para escrever a palavra “INRI” no corpo de Catalino, ainda com a mancha de sangue da primeira morte de uma série que assustou o Estado.
Os “troféus” eram exibidos aos amigos que freqüentavam a casa do maníaco, desconfia a Polícia.
O caso choca não só pela brutalidade das mortes ou pelo ritual em torno delas, mas pelo fato de um grupo de garotos ter conhecimento dos crimes e não comunicar nada à Polícia.
Hoje, em Rio Brilhante, a delegada passou a tarde entre depoimentos de garotos. O primeiro menino ouvido chegou acompanhado pela mãe, às 17h30. Aos 15 anos de idade ele assumiu ter visto objetos das pessoas executadas, mas negou envolvimento direto com as mortes.
Em seguida, a delegada ouviu uma garota que diz ter integrado grupo de amigos do maníaco. Ela contou que apenas fingia participar das discussões e compactuar com as idéias “satânicas” para ser aceita pelos outros, mas que a farsa foi descoberta e então passou a ser ameaçada de morte pelo maníaco.
Ainda nesta quinta-feira, outros dois adolescentes foram ouvidos, somando sete amigos identificados desde o início das investigações, além da namorada virtual do assassino, que vive no Paraná e será interrogada via carta precatória.
Durante os depoimentos, todos foram acompanhados pelas mães ou responsáveis, que na sala da Polícia demonstravam surpresa ao perceber que o envolvimento dos filhos com temas como satanismo, lembrou a delegada.
Agora, Maria de Lourdes deve decidir se os amigos do assassino também responderão pelos assassinatos, por “favorecimento real”, pelo fato de terem conhecimento das mortes e não comunicarem à Polícia.
Após concluído o inquérito, caberá ao juiz da vara de Infância e Juventude de Rio Brilhante decidir se irá ou não pedir a apreensão dos amigos do maníaco.
Evidências – Antes mesmo da Polícia começar a coletar os depoimentos dos amigos do adolescente, a página pessoal do garoto no Orkut já “delatava” os colegas do rapaz.
Em fotos, dois deles sempre apareciam junto ao assassino, simulando violência como uso de um machado, sempre com roupas pretas e em locais como o cemitério. Um deles parece bem novo, com no máximo 13 anos.
Na cidade, o clima de medo continua, mas os adolescentes que vivem no município fazem questão de “defender” Rio Brilhante. “Foi um fato isolado”, diz Anelise Barbosa, de 16 anos.
Depois que o maníaco virou “celebridade” macabra, não faltam relatos de quem diz ter convivido com ele.
Arcemiro Soares, de 15 anos, conta que estudou com o assassino e comenta: “Ele sempre usava preto e vivia sozinho”.
Fonte: Folha de Dourados



