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Delegada diz que assassinato de ex-ministro no DF é um

Investigação – 15/09/2009

A delegada titular da 1º Delegacia de Polícia de Brasília, Martha Vargas, afirmou nesta segunda-feira (14) que o triplo assassinato que vitimou o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitotal (TSE) e advogado José Guilherme Villela, de 73 anos, no último dia 28, é um “crime complexo”. Além dele, também foram mortas sua esposa, Maria Villela, 69, e a empregada do casal, Francisca da Silva, 58.
 
“O inquérito vai permanecer aqui [na 1a DP] pelo tempo que for necessário. É um crime bem complexo, muito difícil e contamos com a ajuda da nossa população”, disse a delegada, que pede para as pessoas que tenham qualquer informação que possa levar ao autor ou autores dos crimes colaborarem com a polícia, por meio de denúncia anônima pelo telefone 197. Mais de duas semanas depois do crime, a polícia ainda não prendeu nenhum suspeito. Os corpos de José Guilherme, Maria e Francisca foram encontrados no dia 31 à noite, uma segunda-feira, no apartamento da família, localizado na Asa Sul, bairro nobre de Brasília. De acordo com a perícia, as mortes ocorreram na noite do dia 28, uma sexta-feira.
 
Segundo informações da Polícia Civil do Distrito Federal, mais de 30 pessoas já prestaram depoimento sobre o crime. A grande dificuldade, porém, está concentrada no fato de o crime, a princípio, não ter tido testemunhas oculares. Questionada sobre o número exato de pessoas que foram ouvidas na 1a DP, a delegada Martha não soube precisar. “Não tive tempo de parar para contar quantos depoimentos já ocorreram até agora. Talvez hoje tenham mais”, avisou a delegada aos jornalistas, na porta da 1ª DP, de onde saiu pouco antes das 17h para o que disse ser uma “diligência secreta”. “Temos que ter tranquilidade para fazer um trabalho sério e não acusar em momento algum pessoas inocentes. A investigação é sigilosa e, sinto muito, mas não posso revelar detalhes”, disse Martha Vargas. Sobre a visita que fez no domingo (13) ao local do crime, ela destacou que foi ao local para buscar documentos que podem ajudar na investigação. “Fui pegar alguns documentos que me interessam, agendas”, concluiu. 
Depoimentos
Entre os que prestaram depoimento desde que a polícia começou a investigar o caso, no último dia 31, estão familiares das vítimas. Na sexta-feira (11), os filhos do casal, Augusto e Adriana Villela, e a neta, Carolina Villela, passaram o dia na 1ª DP. Adiana deixou o local à tarde, enquanto Augusto e Carolina passaram mais de 10 horas na delegacia.
 
Na semana retrasada, a delegada Martha Vargas trabalhava com a possibilidade de latrocínio (roubo seguido de morte) como a causa do crime. No entanto, a principal linha de investigação passou a ser a suspeita de morte por encomenda, apesar de ter havido roubo no apartamento – foram levadas joias de Maria. A polícia, porém, suspeita que os objetos possam ter sido roubados para confunfir os investigadores. Dólares e cheques não foram levados pelos criminosos. A delegada, no entanto, não descarta qualquer possibilidade para o crime e nem adianta se já investiga possíveis suspeitos de terem envolvimento com o triplo homicídio. Na última quinta (10), após os investigadores vasculharem as movimentações financeiras mais recentes do casal de adovgados, a polícia constatou que recentemente José Guilherme fez um seguro de vida. Os policiais verificaram também que o ex-ministro teria ganhado um processo antigo, que tramitava no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a União. Os honorários renderiam milhões a Villela. Nesta semana, os investigadores passaram a levantar dados sobre casos defendidos por José Guilherme Villela, que era proprietário de um importante escritório de advocacia da capital. Ele se dedicava recentemente a causas fundiárias. 
Crime
Foi a neta do casal que avisou a polícia sobre a crime. Os corpos foram encontrados na noite de uma segunda-feira, 31 de agosto, na quadra residencial 113 Sul. No apartamento, que fica no sexto andar, não havia sinais de arrombamento. Desde sexta-feira (28), José Guilherme Villela e a esposa não eram vistos no escritório da família. Como a neta não conseguiu falar com os avós por telefone, levou um chaveiro para abrir a porta do apartamento. A polícia foi acionada e chegou ao local na noite de segunda-feira (31). A perícia constatou que os três morreram entre as 19h e 19h30 do dia 28, vítimas de mais de 70 facadas no total. De acordo com o laudo final da necropsia dos corpos do Instituto Médico Legal (IML), foram identificadas 38 facadas em José Guilherme Villela, 12 em Maria e outras 23 em Franscisca. 
Carreira
Mineiro da cidade de Manhuaçu, Villela tinha 73 anos. Ele foi morar em Brasília nos anos 60, onde foi procurador do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TC-DF). Já na década de 80, exerceu o cargo de ministro do TSE. Como advogado, atuou na defesa do ex-presidente Fernando Collor, no processo que culminou no impeachment em 1992, e, recentemente, no processo do mensalão. Ele atuava com frequencia em processos julgados por tribunais superiores.

Fonte: G1

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