Delcídio defende utilização de energias
Senado – 15/09/2009
O senador Delcídio do Amaral (PT/MS) quer aprofundar a discussão sobre a qualidade do transporte público nas grandes cidades brasileiras que, na visão do parlamentar, além de ser repensado de forma a beneficiar as camadas mais carentes da população, deverá utilizar , cada vez mais, as chamadas energias renováveis, que não causam danos ambientais.
“Precisamos de uma política nacional para o transporte urbano, que tenha compromisso com a eficiência voltada ao social e ao meio ambiente. Não podemos mais continuar vendo perdas, que só na região metropolitana de São Paulo, chegam a R$ 40 bilhões ao ano por falta de uma política nacional para o transporte urbano que garanta a integração de vários meios” afirmou o senador, durante painel sobre Sistemas Integrados de Meios de Transporte, promovido pela Comissão de Infraestrutura do Senado, da qual o parlamentar sul-mato-grossense é vice presidente.
Delcídio defende , também, a utilização de energias alternativas no transporte urbano, como as células de hidrogênio que começaram a ser utilizadas recentemente por alguns ônibus da capital paulista.
“Saio desse encontro convencido de que , como pano de fundo da importante discussão do petróleo no pré-sal, deverá estar nossa preocupação com a necessidade de se avançar, cada vez mais, nos estudos das energias renováveis também para os transportes urbanos”, disse.
O painel contou com a participação do ex-Secretário dos Transportes e da Habitação do Estado de São Paulo , Adriano Branco, e de Cássio Taniguchi, ex-prefeito de Curitiba (PR) e atual Secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Distrito Federal.
Branco analisou os últimos cem anos de transporte público na cidade de São Paulo. Ele disse que o sistema de bondes elétricos, descartado em favor dos ônibus, está retornando, mas boa parte da rede de trilhos, cerca de 300 quilômetros, já se perdeu. O ex-secretário alertou para a necessidade de o Congresso Nacional elaborar uma legislação que limite o peso máximo de carga nos caminhões. – Há dez anos, os caminhões que atravessavam São Paulo em direção ao Porto de Santos transportavam 30 toneladas. Atualmente, eles carregam 80 toneladas, com motoristas mal preparados e pouca manutenção. Até hoje não se faz inspeção veicular em caminhões e todos os dias tombam caminhões em São Paulo – comentou. Na avaliação do ex-secretário paulista, o transporte público precisa ser entendido como a questão primordial das cidades e todos os recursos possíveis deveriam ser canalizados para a solução do problema. Ele observou que a região metropolitana de São Paulo perde R$ 40 bilhões por ano devido aos congestionamentos. – Falta uma estrutura básica de pensamento do transporte coletivo para o Brasil – afirmou.
Modelo
Delcídio comentou qual seria o modelo a ser seguido de um plano diretor de cidades, com o mesmo sucesso do adotado em Curitiba, e porque o sistema adotado na capital paranaense não decola em nenhuma outra capital brasileira.
Citando o exemplo bem-sucedido de Curitiba, Taniguchi sugeriu o redirecionamento dos recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para o setor, considerando que aproximadamente 80% da população brasileira vive em cidades, agravando os problemas de transporte e gerando perda em produtividade no trabalho e na saúde.
O senador sugeriu medidas como as tomadas pelo governo de Cingapura, onde o IPVA dos carros antigos é mais caro que o dos veículos novos, como forma de estabelecer uma nova política que crie perspectivas de renovação de frota, associada a critérios para o acesso de veículos, de modo a incentivar o transporte coletivo em detrimento do transporte individual.
Ao concordar com a falta de uma política nacional de transporte urbano, Taniguchi defendeu a adoção de novos conceitos de mobilidade urbana, com a integração de vários modos de transporte, que vão da bicicleta ao metrô.
Na perspectiva de se implantarem 600 km de ciclovias em Brasília, o senador Delcídio lembrou o quanto a utilização das bicicletas alivia o transporte coletivo, a exemplo de Paris, onde o cidadão aluga uma bicicleta e anda por toda a capital francesa. O senador questionou os palestrantes quanto aos critérios adotados na escolha do tipo de veículo leve sobre trilhos – VLT, bem como os que decidem sobre a utilização do metrô subterrâneo, de um veículo leve sobre pneus, trilhos ou sobre vigas de concreto – que funciona bem na cidade de Miami, nos Estados Unidos. A implementação das parcerias público-privadas no setor, a operacionalização dos Centros de Controle Operacionais com relação à sinalização, e o desenvolvimento das experiências com combustíveis alternativos foram outros questionamentos levantados por Delcídio durante o painel da Comissão de Infraestrutura do Senado.
Fonte: Folha de Dourados



