Em uma agenda que combinou compromissos políticos, econômicos e institucionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi à Espanha, Alemanha e Portugal entre os dias 17 e 21 de abril. Ao longo da viagem, Lula alternou discursos voltados à cooperação econômica com críticas à política internacional de grandes potências, em especial aos Estados Unidos de Donald Trump.
A passagem pela Europa também serviu para preparar terreno para a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, prevista para 1º de maio.
Espanha: críticas a Trump e ao unilateralismo
A passagem do petista teve início na Espanha, onde ele participou da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia. O tom dos discursos foi marcado por críticas diretas ao presidente norte-americano Donald Trump e aos impactos globais de decisões tomadas por grandes potências.
“O Trump invade o Irã e aumenta o preço do feijão no Brasil. Aumenta o preço do milho no México. Aumenta a gasolina no outro país. Ou seja, é o pobre que vai pagar a irresponsabilidade de guerras que ninguém quer”, comentou Lula.
O presidente também criticou o uso de redes sociais como instrumento de instabilidade política global:
“Não podemos acordar todas as manhãs e ir para a cama todas as noites com um tuíte de um presidente ameaçando o mundo e declarando guerras.
Durante o fórum, ele defendeu o fortalecimento do multilateralismo e cobrou mudanças na ONU (Organização das Nações Unidas), especialmente no Conselho de Segurança.
“A democracia em cada país nosso é da nossa responsabilidade […]. Mas o que nos move com muita força é a questão do multilateralismo e a relação entre as nações”, disse.
Alemanha: economia e soberania energética
Na Alemanha, Lula concentrou sua agenda na Feira Industrial de Hannover, principal vitrine global da indústria, onde o Brasil foi o país parceiro. “O Brasil é um país que quer se transformar numa economia rica. Nós cansamos de ser tratados como um país pobre e um país pequeno”, acredita.
O presidente destacou o potencial brasileiro na transição energética e afirmou que o país pode assumir papel estratégico no fornecimento de energia limpa. Entre as declarações, Lula afirmou que vê o Brasil como uma possível potência energética:
“O Brasil pode se tornar a Arábia Saudita do biocombustível.”
Ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, Lula também reforçou a importância da parceria com o país europeu. “A Alemanha é um parceiro indispensável para o Brasil.”
A agenda incluiu ainda encontros com empresários e autoridades, com foco em inovação, hidrogênio verde e reindustrialização.
Portugal: ironia sobre Trump e comércio
Por fim, Lula foi a Portugal e adotou um tom mais irônico ao comentar o cenário internacional e voltou a criticar Donald Trump:
“É importante que a gente dê logo um Prêmio Nobel para o Trump para a gente não ter mais guerra. Aí a gente vai viver em paz, tranquilamente.”
A fala foi feita ao lado do primeiro-ministro Luís Montenegro e faz referência às declarações do próprio Trump sobre merecer o prêmio.
Quando se trata de economia, Lula comentou que o Brasil é parceiro de todas as potências mundiais. “Não temos preferência comercial entre China e Estados Unidos. Nós queremos ter relação com a China, queremos ter com os EUA, com a Rússia, com todo mundo, sem preferência.”
A agenda em Portugal também teve foco na ampliação de parcerias e na posição do país como porta de entrada para empresas brasileiras no mercado europeu. Lula voltou a defender o multilateralismo e o fortalecimento da OMC (Organização Mundial do Comércio), para que a organização volte a funcionar.
(Informações R7)




