Edson Moraes –
Após iniciar um novo tempo no histórico de boas relações com os meios evangélicos, o presidente Lula (PT) vem abrindo caminhos para potencializar sua presença em outro território politicamente desafiador a ele´e ao seu partido: a classe média. As chaves que começas a abrir esta porta são os expressivos resultados da política econômica, avanço que é apurado e ratificado por pesquisas e indicadores credenciados.
É com este nicho que a extrema direita começa a se preocupar, ciente do estrago eleitoral a ser causado pelo impacto de uma recepção positiva da classe média às medidas do governo Lula. Relatórios oficiais e pesquisas exibem ganhos nos ambientes sociais e econômicos, como o crescimento do PIB, o controle da inflação, a redução do desemprego e a valorização real do salário mínimo. Cresce a renda média dos brasileiros, podendo superar os R$ 3.700,00 em 2026, enquanto recordes são batidos na captação de investimentos.
Para o advogado Fábio Trad (PT), esta realidade é impulsionada pela expansão da renda e do crédito e pelo controle da inflação, gerando um cenário de maior consumo doméstico. Ex-deputado federal e gerente de Auditoria e Controle da Embratur, ele analisa: “A recuperação do salário, mesmo gradual, é uma poderosa incentivadora do acesso das camadas assalariadas aos bens e serviços que antes eram inacessíveis financeiramente”a.
Fábio Trad ressalta que a taxa de desemprego caiu e o rendimento médio real subiu 9,7% de 2023 a 2025, até atingir R$ 3.507,00. O quadro geral mostra que a taxa de desocupação recuou para 6,1% – a menor da série histórica da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), iniciada em 2012. O total de pessoas ocupadas atingiu quase 104 milhões (39 milhões com carteira assinada). Em agosto de 2020, o número de trabalhadores empregados estava na casa de 82 milhões.
BALANÇO É POSITIVO – Segundo Pedro Rossi, professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica, o balanço do governo “Lula 3″ é positivo, com contradições e incertezas. “Todos os indicadores sobre mercado de trabalho e redução da pobreza estão melhores nos últimos dois anos. Há contradições porque o governo quer a agenda econômica progressista, mas sofre com a herança de uma agenda neoliberal que está muito instituída, estruturada até constitucionalmente”, opina.
Fábio Trad cita outros dados e lembra que o dólar vem operando abaixo de R$ 5,30 há alguns dias, enquanto a bolsa de valores trabalha batendo recordes em altas. Outro dado significativo sobre a elevação do poder de consumo em diferentes classes econômicas, é a recuperação no comércio de veículos. O setor registrou expressivo crescimento em 2024, quando a venda de carros novos aumentou em 15%, o melhor resultado desde 2006 e que vem sendo comemorado pela classe média.
O pré-candidato faz questão de frisar que Lula governa para todos os segmentos da população. Cita o agronegócio, de onde saem alguns dos ataques mais ferozes contra o presidente. “Só no Plano Safra a cifra é um recorde, com R$ 516,2 bilhões para o agro, a agricultura empresarial”, exemplificou. Do total, R$ 414,7 bilhões foram destinados para o custeio e a comercialização; R$ 101,5 bilhões para investimentos; R$ 69,1 bilhões ao médio produtor (Pronamp); e R$ 89 bilhões para o Pronaf (Programa de Agricultura Familia), o maior valor da história para o setor.

