Custo Brasil, por Waldir Guerra
Leia: Custo Brasil, por Waldir Guerra
Leia artigo – 26/05/2008
Waldir Guerra *
As queixas continuam contra o preço cobrado nos postos aos consumidores de álcool combustível, ainda mais agora que as destilarias estão vendendo o produto abaixo de 80 centavos o litro.
Com a gasolina, vá lá, pois o petróleo duplicou o preço nos últimos meses, mas com o álcool nada justifica que se mantenha em alguns lugares, como aqui no Mato Grosso do Sul, sempre mais que o dobro, hoje R$1,77 na cidade de Dourados. As destilarias que produzem o combustível estão todas localizadas aqui por perto e o frete não deveria ser a causa principal desse preço exagerado nas bombas. A explicação mais plausível é a do Custo Brasil.
Explicar o Custo Brasil não é fácil; talvez citando um exemplo ficasse mais simples para ser entendido o que é esse Custo Brasil: O pequeno município de Campos de Julio no Estado de Mato Grosso, distante 700 quilômetros de Cuiabá, quase na divisa com Rondônia, tem muito orgulho de uma destilaria de álcool localizada em seu território. O álcool produzido pela destilaria em Campos de Julio-MT também é vendido por 70 centavos, mas o preço cobrado aos consumidores nas bombas dos postos naquele município é de R$1,90. A justificativa do alto preço é porque o álcool vem de São Paulo, da região de São José do Rio Preto, mais de três mil quilômetros de distância.
Caminhões carregam álcool na destilaria em Campos de Julio-MT e percorrem 3.100 – sim, é isso mesmo, três mil e cem quilômetros – até Planalto, ou Jacareí-SP. Recarregam o mesmo álcool; percorrem de volta os mesmos 3.100 quilômetros e fazem mais 900 quilômetros, até Porto Velho, no estado de Rondônia onde o descarregam para ser distribuído nos postos. Você não acredita? Pois acredite, é verdade, eu próprio conferi e é um dos absurdos que formam o tal Custo Brasil.
Nessa questão de preço do álcool ainda não entendi como podem os postos de revenda na cidade de Cuiabá estar vendendo o litro de álcool a R$1,20 quando no Mato Grosso do Sul o preço está R$1,77. Afinal, nesse passeio, onde se deduz que o álcool produzido aqui tem que ir a São Paulo para depois voltar, o frete não teria que ser maior até Cuiabá? Será que, além do Custo Brasil, nós sul-mato-grossenses ainda temos um Custo MS?
Custo Brasil são todas as despesas desnecessárias, como essa que apresentei acima, e que nós brasileiros nos acostumamos pagar sem questionar. Acostumamo-nos com o excesso de burocracia e somos dominados por ela. De 1979 a 1983 o Brasil teve um ministro da desburocratização, o competente Hélio Beltrão que nos livrou de uma infinidade de obrigações desnecessárias. Até a dispensa de reconhecimento de firmas por cartórios oficiais que era exigida a torto e direito foi quase inteiramente dispensada. Hoje tudo voltou ao que era antes de Hélio Beltrão.
Hoje o poder público nos enrola em sua teia de exigências onde temos que provar “oficialmente” a toda hora que temos endereço fixo; que somos bons pagadores; que somos eleitores e até que estamos vivos. Os próprios cartórios oficiais que nos dão essas garantias se obrigaram a criar novamente as velhas estampilhas coloridas com carimbos reluzentes, tudo para manter-nos dentro da teia da legalidade. Claro, tudo isso tem o Custo Brasil embutido e que somos obrigados a aceitar.
Com dezenas de ministérios novos criados no governo Lula, o mais necessário ele não criou, o da Desburocratização. Bem que o presidente Lula poderia recriar esse ministério, com certeza o Custo Brasil cairia sensivelmente.
* Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
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Fonte: Folha de Dourados



