Cultura machista é causa da violência contra a mulher
Dia da Mulher – 08/03/2008
Cultura machista é causa da violência contra a mulher
A violência contra a mulher vem crescendo continuamente, para Odila Schwingel Lange, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, o fator crucial deste aumento é a cultura machista que precisa mudar e para isso acontecer, a solução é mudar a educação, investir em políticas públicas, criar mecanismos de prevenção e não só pensar nos agressores.
Odila sonha em ver o dia em que a mulher não será considerada propriedade do marido e nem do Estado, que terá autonomia para o uso de seu corpo, acesso à educação, à cultura e ao trabalho, para assim contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, acabando, quem sabe, com a violência contra a mulher.
Em sua dissertação de mestrado, Odila que também é advogada, tratou da violência contra a mulher no âmbito da relação conjugal, destacando a situação em Dourados, resgatando a história da criação da Delegacia da Mulher e referindo-se a estudos de casos, tendo como fonte processos criminais de homens que agrediram suas companheiras e que responderam perante a justiça a este delito.
Para Odila, o que ficou claramente demonstrado em sua pesquisa foi que a Lei dos Juizados Especiais (Lei 9.099/95) banalizou a violência doméstica a tal ponto que ninguém mais acreditava neste mecanismo, pois equiparava o crime de violência doméstica a uma briga de vizinhos. “Esta lei genérica pouco fez para coibir este tipo de violência, as mulheres já não acreditavam mais na penalização de seus companheiros, pois, foi instituída como pena a doação de cestas básicas, prática que penaliza a vítima e seus filhos, pois o agressor tirava o sustento da casa para pagar a ‘pena”, afirma.
Este trabalho foi bem representativo, segundo a advogada, contribuiu para a conscientização de algumas pessoas e dois anos após sua defesa aconteceu aquilo que ela sempre defendeu e pregou: a promulgação da Lei Maria da Penha.
Para Odila, a Lei Maria da Penha trouxe a esperança da diminuição dos casos de violência contra a mulher, pois, na maioria das vezes, a vítima não denuncia por medo de não ter o problema resolvido, e o que pode motivar uma mulher a denunciar, é a certeza de que o agressor será punido.
Outra coisa muito importante é o apoio da família e da sociedade, pois se esta mulher denunciar a violência e não tiver renda para sustentar-se e sustentar seus filhos ficará complicado persistir nesta luta, mas “se tiver política pública de apoio como casa abrigo, cesta básica e outras políticas de proteção e apoio para subsistência, com certeza esta mulher agredida se sentirá segura para procurar ajuda e vencer o círculo vicioso da violência”, opina.
Quanto a causa, Odila não acredita que seja a desigualdade social, “a violência contra a mulher é o tipo mais democrático que existe, pois não escolhe faixa etária, nem classe social, bastando ser mulher para ser vítima de agressões”. Ela acredita que além da cultura machista, a baixa escolaridade e a miséria contribuem para este tipo de violência, mas que não são somente estas as causas, pois se fosse assim nos países de primeiro mundo não aconteceria este tipo de agressão e isto acontece diariamente no mundo inteiro.
(Francielle Oliveira)
Fonte: Folha de Dourados



