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Crise perde força e uso da capacidade sobe a 69%, diz CNI

Economia – 23/07/2009

A indústria nacional recuperou parte das perdas provocadas pela crise financeira mundial e começou a retomar o otimismo em relação à produtividade, com a capacidade subindo a 69%. A avaliação foi feita nesta quinta-feira a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que mediu a atividade industrial no segundo trimestre de 2009. “Após mostrar pessimismo nos meses de janeiro e abril, empresários voltam a esperar aumento da demanda”, diz a Confederação da Indústria.
O indicador da evolução do nível de atividade, em uma escala de zero a cem pontos, ficou abaixo da linha dos 50 pontos (48,1 pontos), confirmando queda da produção industrial. Apesar disso, avalia a CNI, o índice de evolução da produção cresceu 12 pontos na comparação com o primeiro trimestre.
“Esse resultado indica que a queda na produção no segundo trimestre foi menos intensa que a apurada no primeiro”, pondera a CNI na Sondagem Industrial. Patamares abaixo dos 50 pontos indicam retração, iguais a 50 representam estabilidade e acima desta cifra caracterizam expansão. No último trimestre de 2008, o indicador havia registrado 36,1 pontos, o menor patamar desde o primeiro trimestre de 1999.
Quando medida a utilização efetiva da capacidade industrial, a CNI aponta que este quesito teve alta de um ponto percentual em relação ao trimestre anterior, passando a 69%. A média histórica da utilização da capacidade instalada é de 74%, ao passo que o segundo trimestre de 2008 apresentou patamar de 77% de capacidade instalada.
O patamar de 69% só é comparável ao primeiro trimestre de 2009 e ao mesmo período de 2003. Em todos os outros recordes, informa a CNI, a utilização da capacidade instalada ultrapassa os 70%. “Isso confirma uma ociosidade elevada. As decisões de investimento devem começar a ser retomadas, mas com cautela”, ressalta o economista Renato da Fonseca, da CNI.
Especificamente para o mês de junho, a Confederação Nacional da Indústria mediu pela primeira vez o indicador que registra que 52,4% das empresas disseram ter operado abaixo do usual para este período. Apenas 6% das companhias informaram estar operando acima dos patamares padrões para junho.
“Tem muito espaço para crescer, mas como a ociosidade das empresas é grande, gradativamente vai se retomando a perspectiva de fazer o investimento”, observou o economista.
Mesmo com a redução do ritmo de queda na produção, os estoques continuam acima do esperado. No segundo trimestre deste ano, o índice chegou ao patamar de 47,7 pontos, diante de 50,6 pontos em relação ao mesmo período do ano anterior. “A redução dos estoques no segundo trimestre não foi suficiente para eliminar os estoques indesejados”, diz a CNI.
De acordo com a entidade, foram as grandes empresas as que primeiro conseguiram interromper o ritmo de queda na produção. Entre as pequenas e médias persistiu a queda na atividade industrial, mas em menor intensidade que nos primeiros três meses de 2009. As grandes companhias apresentaram indicador de 51,8 pontos, diante de 40,2 no trimestre anterior.
“Os efeitos da crise começam a se dissipar. O empresário volta a ficar otimista. Somente as grandes empresas interromperam o ritmo de queda na produção, mas, como em geral quem sai primeiro de uma crise são as grandes empresas, isso é um bom sinal. À medida que essa retomada ficar mais forte, a grande empresa vai puxando as demais empresas”, avaliou Renato da Fonseca.
No caso das pequenas empresas, o índice de evolução da produção passou de 31,2 pontos para 44,1 pontos. Quando avaliadas as companhias de médio porte, o indicador subiu de 35,5 pontos para 47,1 pontos. “Para todos os portes de empresa as expectativas quanto à evolução da demanda para os próximos seis meses são positivas. No caso das pequenas e médias empresas, as expectativas de demanda são positivas pela primeira vez no ano”, ressalta a CNI.
Se as grandes empresas começam a deixar a crise financeira mundial para trás, diminuindo o ritmo de queda da produção no segundo trimestre, os sinais de recuperação ocorrem de forma desigual. Os setores de álcool, refino de petróleo, farmacêuticos, equipamentos de transporte (navios, trens, bicicletas) e veículos automotores registraram indicadores acima dos 52 pontos. Em sentido contrário, os piores desempenhos foram os dos setores de madeira, papel e celulose, calçados e móveis.

Fonte: Invertia

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