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Crise da meia-idade pode oportunizar mudanças

Mulheres – 08/01/2008

No filme Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, de Pedro Almodóvar, a dubladora de TV quarentona Pepa Marcos (papel de Carmen Maura) joga a secretária eletrônica pela janela quando o amante termina o relacionamento pelo telefone. Vingativa, Pepa prepara para o amante um gazpacho temperado com soníferos. Se refizesse o filme hoje, duas décadas depois, Almodóvar teria de rever essa imagem estereotipada da mulher de 40 anos em crise.
Pepa não deixaria de chorar a perda do grande amor – mas, em vez de sofrer uma crise histérica ou de ser abandonada, poderia ela mesma ter terminado o caso com o amante, em busca de nova paixão. Pelo menos esse tem sido o comportamento da atual geração de mulheres entre 40 e 50 anos. O turbilhão de emoções típico de quem entra na menopausa não é mais sinônimo de lamúrias, desespero, depressão ou paralisia diante dos problemas. Muitas mulheres agora aproveitam essa fase para transformar crises em oportunidades e tentar realizar velhos sonhos.
É a história da carioca Ana Lúcia Leopoldino. Aos 41 anos, infeliz no casamento, ela decidiu deixar o marido. Foi um período duro. Ele ficou com a guarda do filho do casal. Ela foi morar com a mãe. “Eu era uma dondoca, nunca tinha trabalhado. Tentei algumas coisas, mas por seis meses não consegui nada”, diz Ana Lúcia. Acabou estudando Letras e fez cursos de idiomas. Em 2003, um amigo que trabalhava no hotel Sheraton, no Rio de Janeiro, estava sem alguém para desempenhar a função de hostess, às vésperas da festa de Réveillon. Perguntou a Ana Lúcia se gostaria de fazer o serviço. Ela topou. “O que eu tinha aprendido por hobby virou minha profissão”, diz. Hoje, aos 46 anos, Ana Lúcia afirma ter reconstruído sua vida. “Estou no caminho dos 50 com muito gás, com vontade de crescer.”

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