Crise chega ao terceiro setor e projetos sociais encolhem
Responsabilidade social – 20/04/2009
A crise econômica que está afetando praticamente todos os setores da economia, já chegou ao chamado terceiro setor, ou o setor que trabalha com a responsabilidade social.
Numa avaliação menos pessimista, feita pelas próprias entidades, é que houve uma redução de 15% no repasse feito pelo setor privado para as entidades do terceiro setor, apesar de ainda não ter havido redução do setor público no mesmo nível.Com o corte na produção, queda nos contratos internacionais e a demanda reprimida, as empresas começaram, desde outubro do ano passado, a enxugar suas custos, reduzir folha de pagamento e gastos com os projetos sociais.
“Infelizmente, a área social quase sempre é uma das primeiras a sentir os efeitos de uma crise como a que estamos enfrentando”, explica a gerente geral da Aces (Ação Comunitária do Espírito Santo), Maria Helena Spinelli Escovedo.Além dos projetos das entidades que sofrem cortes, as próprias associações e entidades tiveram que reduzir pessoal. “Nós conseguimos manter nosso quadro de pessoal até agora, mas sabemos de organização não governamental que trabalhava com 20 pessoas e teve que reduzir o quadro para três pessoas somente”, ressaltou Maria Helena. Avaliação
Para quem trabalha há muito tempo no terceiro setor, tempos de crise servem também para avaliações nesta área. “Se entidades como as que temos no país pararem de atuar, o poder público é que terá de ocupar estes espaços.
Mas, será que ele será capaz de absorver todo este trabalho que é feito pelas organizações não governamentais hoje”, questiona Cristina Puppim, presidente do Movive (Movimento Vida Nova Vila Velha).A gerente geral da Aces opina da mesma forma: “A redução de pessoal e de recursos para atuarmos abre espaço para um vazio de atendimento onde o terceiro setor ocupa um lugar significativo. O momento é muito delicado porque é nessa hora que crianças, jovens e adolescentes precisam ainda mais de apoio”, acredita ela.Ao contrário do que acontecia em anos anteriores, as entidades do terceiro setor estão cada vez mais profissionais. “Não adianta pensar que é possível fazer um bom trabalho sem uma gestão profissional, como a que existe em qualquer negócio” afirma Cristina Puppim.Para chegar a este nível de excelência, as associações buscam cada vez mais profissionais preparados e qualificados no mercado. E, numa crise como esta, alertam os economistas, as ONGs acabam tendo que cortas gastos e pessoal para não cortar seus projetos sociais, dizem eles.”Ainda não reduzimos projetos, mas admito que estamos atrasando um pouco o andamento de alguns processos”, explica Cristina, cujo movimento começou há dez anos e tem a proposta de atuar na formação de uma rede para que as comunidades carentes busquem seu próprio desenvolvimento com criação, inclusive, de bancos populares. Para Maria Helena, em momentos como este, é preciso clareza para enfrentar as dificuldades impostas pela crise.Estudo da ONU mostra expansão do terceiro setor
Um estudo da ONU mostra que as organizações sem fins lucrativos tiveram um crescimento de 71% de 1995 a 2002 no Brasil passando de 190 mil para 326 mil.
O estudo da ONU revela, ainda, que o setor representa hoje 5% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, uma participação superior a de muitos outros setores.
Já os números das Fasvi (Fundações Provadas e Associações Sem Fins Lucrativos no Brasil) mostram que as 276 mil organizações sem fins lucrativos no país empregam 1,5 milhão de pessoas, o que corresponde a 5,5% dos empregados de todas as organizações formalmente registradas no país.
Fonte: Folha de Dourados



