Crise: Bovespa recua 3,54% e dólar atinge R$ 2,43
Economia – 08/10/2008
Em mais um dia turbulento nos mercados financeiro, as Bolsas de Valores desabam, sem que os investidores consigam se animar com as últimas medidas anunciadas pelos bancos centrais dos países desenvolvidos. A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), que chegou a esboçar uma reação logo após a abertura, acompanha a derrocada vista em Wall Street. O câmbio tem assustado analistas e investidores, superando as piores perspectivas do mercado, e atinge R$ 2,43. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, desvaloriza 3,54% e desce para os 38.717 pontos. O giro financeiro é de R$ 3,49 bilhões. A crise ganhou nova dinâmica, principalmente após a quebra do banco Lehman Brothers, no dia 15 de setembro. O índice Ibovespa demorou quase dois meses para cair do patamar de 60 mil pontos 50 mil pontos, mas apenas um mês para atingir o nível dos 40 mil pontos. O dólar comercial é cotado a R$ 2,438 na venda, o que representa um forte acréscimo de 5,49% sobre a cotação de ontem. Num sinal claro do nervosismo e da falta de parâmetros desse mercado, o preço da moeda americana já oscilou entre o valor mínimo de R$ 2,177 e o máximo de R$ 2,480. O Banco Central já realizou três leilões de venda de dólares. O primeiro foi realizado às 10h13; o segundo, às 10h43, e o terceiro, às 11h29. As taxas aceitas pelo BC têm acompanhado os preços de mercado: R$ 2,4485; R$ 2,3700 e R$ 2,3560 (taxas de corte). Na Europa, as principais Bolsas de Valores concluíram os negócios com fortes perdas, a exemplo de Londres (declínio de 5,17%), Paris (baixa de 6,30%) e Frankfurt (queda de 5,87%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York retrai 2%. O Federal Reserve (o banco central americano) reduziu a taxa básica de juros dos EUA de 2% para 1,5%, numa ação coordenada com bancos centrais europeus, a exemplo do BC britânico, que também reduziu sua taxa de juros em 0,50 ponto percentual, para 4,5%. Os outros bancos que agiram com redução em suas taxas de juros foram: o Banco do Canadá; o BCE (Banco Central Europeu); o Sveriges Riksbank (da Suécia); e o SNB (Banco Nacional da Suíça, na sigla em inglês). As medidas, no entanto, não surtiram efeito nos mercados. Analistas temem que as principais economias do planeta caiam em recessão, com desdobramentos sobre o restante dos países menos desenvolvidos. No Brasil, economistas já comentam que o último trimestre já deve acusar desaceleração. Esses analistas têm repetido que a violenta oscilação do câmbio é um elemento bastante perturbador para os negócios das empresas. Desde 1 de agosto, quando atingiu seu menor valor neste ano –R$ 1,55– a cotação da moeda americana já subiu mais de 50% (somente até ontem). Urgência As autoridades monetárias redobram os esforços para combater os efeitos mais dramáticos da crise: primeiro, a paralisia na circulação de crédito, com injeções bilionárias e regulares de dinheiro no sistema bancário; segundo, aumentando as garantias dos depósitos bancários, de modo a acalmar a população e evitar uma cena bastante conhecida na época da crise de 29: a corrida aos bancos. Há semanas, os participantes do mercado financeiro reclamavam de uma ação coordenada das autoridades européias e americanas para enfrentar a crise, que já havia se expandido para além das fronteiras dos EUA e ganhava dimensão global. Ontem, o Fed e outros cinco bancos centrais anunciaram uma injeção bilionária de recursos, para combater um dos efeitos mais negativos da crise: o corte na circulação de recursos entre os bancos, que param de emprestar por não saber qual a próxima instituição financeira a falir, sob o peso dos créditos que viraram ‘pó’ e deixaram rombos nos balanços. Brasil O governo brasileiro também já adotou medidas para combater os efeitos da crise mundial sobre a economia brasileira: o encurtamento e o encarecimento das linhas de crédito, já que as empresas brasileiras praticamente perderam o acesso ao financiamento externo. Em um cenário de extrema aversão ao risco, o dinheiro pára de circular pelo mundo, principalmente o fluxo para as economias emergentes. Anteontem à noite, o governo avisou que vai editar uma MP (medida provisória) que autoriza o Banco Central do Brasil a comprar diretamente a carteira de crédito de bancos comerciais. O Planalto também já anunciou a criação de uma linha internacional de crédito para ajudar os exportadores, com o dinheiro das reservas internacionais do BC, mas sem informar o valor em questão. E ainda no início do mês, reduziu o recolhimento compulsório para os bancos grandes que comprarem parte das carteiras de crédito dos bancos pequenos. Em setembro, os bancos pequenos já haviam sido beneficiados com uma redução no compulsório, de modo a garantir uma injeção de R$ 13 bilhões na economia.
Fonte: Folha Online



