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Crise ainda não afeta o comércio de Dourados

Economia – 30/03/2009

Em entrevista ao Midiamax, o presidente da Aced (Associação Comercial e Empresarial de Dourados) Ínio Coalho, afirmou que ao contrário das expectativas o comércio local ainda não foi afetado pela crise. Ínío é membro do CMC (Comitê de Monitoramente da Crise) em Mato Grosso do Sul, ele disse que os reflexos da crise ainda não são visíveis.
Ínio fala do bom relacionamento que os comerciantes estão mantendo com o atual prefeito Ari Artuzi (PDT), o que garante a realização das promoções de vendas e outras ações da entidade. O presidente da Aced demonstrou a necessidade de se ampliar as discussões sobre como enfrentar a crise e relatou o intercâmbio que a entidade está mantendo com empresários paraguaios que pretendem criar o corredor de exportação Concepcion-Mato Grosso do Sul.
Coalho é contabilista e advogado com especialização em Direito Tributário Civil e Empresarial pela UCDB e em Auditoria e Perícia Contábil pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados). Presidiu o Conselho Fiscal do Clube Indaiá e a Apae (Associação dos Pais e Amigo dos Excepcionais) e tem participação ativa em várias entidades filantrópicas e do terceiro setor.
Midiamax: Como os comerciantes e empresários douradenses estão encarando a crise mundial e quais os seus reflexos na economia local?
Ínio Coalho: Na região de Dourados o comércio não tem sentido muito os efeitos da crise global, porém, algumas indústrias da região que são exportadoras foram impactadas pela crise. Notamos que os investidores estão cautelosos esperando o momento adequado para voltar a fazer seus investimentos nas indústrias como é o caso do setor sucro-alcooleiro.
Midiamax: O que a Associação Comercial está preparando para driblar esta crise?
Ínio Coalho: A ACED, através de seu presidente, participa do Comitê de Monitoramento da Crise – CMT, juntamente com a FIEMS a FAEMS e outras entidades, tem levado até os empresários de Dourados e região dados de pesquisas e outros conhecimentos relacionados com a crise. No momento, juntamente com o Comitê, temos procurado fazer o que vem sendo feito no país. Esclarecemos a todos os empresários que a atual situação implica no comprometimento das partes capital e trabalho, bem assim, dos governantes. A preocupação é manter o funcionamento da cadeia produtiva e consequentemente o emprego e o consumo. Propusemos ao governo do estado uma série de reivindicações e fomos atendidos em alguma a exemplo da dilatação dos prazos para pagamento de tributos e o pagamento do funcionalismo no primeiro dia de cada mês, com isso o empresário terá mais folga no seu capital de giro, uma vez que o crédito está cada vez mais difícil.
Midiamax: Como está o relacionamento da Associação com a nova administração municipal? O que poderemos esperar?
Ínio Coalho: A administração municipal começa a fazer um bom relacionamento com a Aced e vice versa. Levamos ao prefeito, juntamente com a CDL e o Sindicom, a questão do parquímetro que vem funcionando com muitos problemas na área central de Dourados. A promessa é de que seremos atendidos no quesito melhor atendimento por parte das pessoas que trabalham na área e os minutos serão cobrados de acordo com o efetivamente gasto pelo usuário. Solicitamos, também, equipamento para o aeroporto de Dourados, para que os vôos possam ser realizados cor instrumento. Notamos que há interesse da prefeitura. Com esse equipamento poderemos ter vôo de Dourados a São Paulo (Congonhas).
Queremos colaborar com o executivo municipal e esperamos a reciprocidade.
Midiamax: A Associação Comercial lançou a Adere (Aliança para o Desenvolvimento Regional) envolvendo vários municípios da Grande Dourados visando lutar pelo desenvolvimento socioeconômico. O que a Adere efetivamente está realizando?
Ínio Coalho: A Adere está paralisada. A Aced é uma regional que atende várias associações dos municípios circunvizinhos. Temos nossa Federação das Associações do Estado de Mato Grosso do Sul – Faems, cuja finalidade é agregar s associações de todos os municípios do estado. Para se ter uma idéia, mesmo fazendo parte da CMC, as associações do estado vem realizando trabalho em busca de soluções, junto ao governo do estado, em relação à pauta ou os percentuais aplicados para se formar a base de cálculo do ICMS. Queremos o preço que realmente corresponda com o preço praticado pelo mercado.
Midiamax: Na semana passada a Aced recebeu um grupo de políticos e empresários de paraguaios para disputar a abertura do Corredor de Exportação Concepcion-Mato Grosso do Sul. O que vem a ser este projeto?
Ínio Coalho: Este projeto vem sendo elaborado e estudado há mais de dois anos pela Associação Comercial de Dourados com a anuência do nosso vice-governador. O projeto visa baratear, para toda a região sul, os custos nas exportações de mercadorias, especialmente grãos, como também as importações. Hoje a exportação de nossa safra é feita pelo Porte de Paranaguá – PR ou Santos SP A saída destes produtos pelo Porto na cidade de Concepcion PY, ecomonizaria a distância de aproximadamente 750 km. A importação também seguiria o mesmo caminho. O trigo importado da Argentina pelos moinhos da região vem pelo Porto de Ladário percorrendo uma distância de mais de 400 km sem necessidade.
Midiamax: Que benefícios este corredor de exportação pode trazer para a região de Dourados e para o Mato Grosso do Sul?
Ínio Coalho: Os benefícios são a redução dos custos. Os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul sofrem com o pagamento de fretes para transporte de grãos, devido à localização distante dos Portos.
Midiamax: Este projeto não inviabilizaria a ferrovia para Paranaguá?
Ínio Coalho: Este projeto está pronto para iniciar a qualquer momento. Não há qualquer possibilidade da inviabilização do novo projeto ferrovia Maracaju – Paranaguá – PR. Somos totalmente favoráveis a execução deste projeto.
Quando estiverem um funcionamento os dois projetos, melhor, o exportador terá alternativas.
Midiamax: Como está o nível de consumo de Dourados e a questão da inadimplência?
Ínio Coalho: O nível do consumo não tem caído quase nada. Como já dissemos o comércio de Dourados e Região ainda não foi afetado pela crise. Já a inadimplência tem crescido superando os percentuais dos mesmos períodos de anos anteriores.
Midiamax: O que a Associação Comercial espera da economia local tendo em vista a quebra na safra de soja e os investimentos no setor sucro-alcooleiro?
Ínio Coalho: O agricultor sabe que a atividade depende do tempo e que às vezes, infelizmente, vem à quebra da safra por falta de chuvas. Esperamos que esta quebra não afete o comercio e a economia continue prosperando.
Tudo o que esperamos é o fim da crise que atingiu certos setores de nossa economia e que os investidores do setor sucro-alcooleiro acredite no potencial de nossa região, no desenvolvimento econômico brasileiro e volte a investir no negócio do açúcar e álcool.
Midiamax: Qual é a posição da Associação Comercial com relação às mudanças políticas que devem ocorrer a partir dos debates sobre as eleições do ano que vem?
Ínio Coalho: Nosso parecer é um só. Dourados tem que votar em Dourados. Já tivemos três deputados federais e três deputados estaduais, hoje temos um de cada. Dourados como segundo colégio eleitoral tem condições de eleger até mais que três deputados para as câmaras estadual e federal, poderá, também, até eleger um senador, basta os eleitores se conscientizarem, não votando nos aventureiros que aqui só aparecem na época das campanhas eleitorais.

Fonte: Midiamax

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