Crianças recebem merenda vencida no RS
Absurdo! – 15/09/2007
Em Canoas, no Rio Grande do Sul, frutas que deveriam estar no lixo são servidas às crianças como parte da merenda escolar. O flagra foi feito com uma câmera escondida pelo “Jornal da Globo”. No refeitório, por exemplo, a maçã já havia passado da validade. “Nós tínhamos que tirar as partezinhas estragadas. Às vezes, vinha peixe cru e o feijão era uma água só. Quando não era terceirizado, era tudo bem feito, organizado. As crianças comiam à vontade”, revela a educadora Jussara Maciel. Cada merenda custa ao município R$ 1,41. Às vezes, é servida apenas uma maçã para cada criança; na central de abastecimento de Porto Alegre, a 12 quilômetros da escola, o mesmo tipo de maçã é vendido por R$ 0,17. Há dois anos, a merenda escolar é terceirizada em Canoas. Só em 2006, a SP Alimentação – uma empresa paulista que fornece merendas a municípios em vários estados – recebeu da prefeitura R$ 6,7 milhões pelas refeições. Além disso, segundo o contrato, a SP Alimentação deveria fornecer a estrutura para o preparo da merenda, mas os equipamentos da cozinha são da prefeitura. O presidente da Federação de Pais e Mestres tem percorrido as escolas para vistoriar a qualidade da merenda. “A gente constata que a porção é muito pouca em algumas escolas, principalmente nas infantis”, diz Ademir de Oliveira.
Além da qualidade, o Ministério Público Federal investiga também a possibilidade de fraudes. Os indícios aparecem em documentos obtidos pela reportagem; neles, uma mesma pessoa assina como responsável por duas empresas concorrentes. “Até existem erros de grafia que são idênticos. Isso indica que esses editais foram gerados a partir de um arquivo comum”, afirma o procurador Adriano Raldi. Uma auditoria da Fundação Nacional de Desenvolvimento da Educação – responsável por repassar recursos para merenda aos municípios brasileiros – encontrou irregularidades em Canoas. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público Federal. O Tribunal de Contas do estado também constatou problemas em contratos para fornecimento de merenda escolar em outros municípios. A SP Alimentação se limitou a dizer que as acusações são
Fonte: G1



