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Criador de onças e capivaras de Dourados lamenta falta de apoio

Dourados – 20/10/2009

Criador de onças e capivaras de Dourados lamenta falta de apoio

 

No meio de um mar de água grená do mais que vermelho barro de Dourados surge indene a obra do artista Elias Simões criador dos mais belos animais amorfos espalhados pelas avenidas e outros lagrodouros públicos da cidade.A força da água que atingiu dezenas de casas não perdoou o artista que viu molhados não apenas seus pertences conseguidos ao longo de uma vida inteira. Os seus sonhos estão cheios de lágrimas, tão úmidos quanto os colchões onde repousam seus quatro filhos de oito meses, oito, quinze e dezoito anos de idade.Simões mora assim como milhares de famílias na Vila Cachoeirinha, considerada por muitos como um crime político-eleitoral já que foi implantada numa região ora alagadiça, ora um pedregal. Vendendo peça por peça, Elias foi construindo sua casa. Uma simples oca onde protege sua mulher, seus filhos e a sua arte.É nesta mesma casa alagada que o escultor mantém o seu ateliê. As máquinas estão para ser enxugadas e até o forno onde queima as peças está ensopado. Como Elias vai ganhar agora o seu pão de cada dia? Ele diz: – Só Deus sabe! A fé do artesão em dias melhores é grandiosa. Tão grande quanto a Tilápia, o pacu e o dourado, peixes gigantes construídos por ele nas entradas da cidade de Itaporã, reconhecida como a “Cidade do Peixe”.Tão enorme quando o “Pé de Soja Solteiro” que ele erigiu na entrada da cidade de Laguna Carapã que anualmente organiza o concurso para premiar o melhor e maior pé de soja. Pé solteiro é aquele plantado separadamente de toda a plantação especificamente com todo denodo para participar do concurso.Elias Simões: um rapagão de quatro décadas de existência, alto, magro e com um sorriso de dar inveja a qualquer vítima de depressão. Assim é o artista da Vila Cachoeirinha. Assim é esse artista de Dourados, neto de uma tribo indígena do litoral pernambucano que aprendeu o ofício e a arte das esculturas com o pai.Foi com Mário o marceneiro, seu genitor e amigo que Elias aprendeu manear o cinzel, a empunhar o formão e dar as primeiras marretadas na madeira. Em 1995 cansado da rudeza da madeira foi busca na argila sua nova missão. Com o mestre Cilso Tibúrcio transmutou toda a sua inspiração para o barro.Tibúrcio deu-lhe de presente o aprimoramento das técnicas. Simões passou a viver da sua arte. Isso acontece até hoje, mas quando não consegue vender suas peças, Elias parte para a construção civil onde é um “pedreiro-de-colher-inteira”.Simões se orgulha das peças de sua autoria que estão espalhadas pelas ruas de Dourados. Ele cita a onça pintada que está na Avenida Marcelino Pires em frente ao Terminal Rodoviário Renato Lemes Soares. Por acaso alguém se lembra quem foi Renato, o ferro-velho, pai de Archimedes, o “Ferrinho”?Entre tantas peças de Elias pode-se falar do Dourado que está na rotatória da Marcelino Pires com o Parque Antenor Martins do Jardim Flórida e das “sofredoras” capivarinhas que enfeitam o cruzamento do Alphonsus no cruzamento das avenidas Presidente Vargas com Weimar Torres. Na terra do Pé de Soja Solteiro, o artista cravou mais obras como o cavalo e a vaca em tamanho natural e a grandiosa árvore, um verdadeiro Baobá naquele mar de leguminosas.O escultor aproveita o estupor da chuva primaveril para fazer uma crítica severa ao prefeito de Dourados que patrocinou o maior e pior *“culturocídio” * da terra de Marcelino Pires ao violentamente arrancar a estátua do Mineiro, o “ervateiro ébano” que estava fincado na esquina mais movimentada da Praça Antonio João.Elias Simões reclama que as dezenas de obras de sua autoria e outras tantas feitas pelo Mestre Cilso estão abandonadas à espera de restauração. E o que a Prefeitura faz? – Não faz nada pelo nosso patrimônio cultural! – diz o artista que ao sonhar em ter sua casa novamente sem água e que Ari Artuzi produza uma resposta estival para que a estátua do Ervateiro e todas as outras mereçam o respeito devido. 

Fonte: Mídia Max

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