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Cras realiza soltura de animais em extinção no Pantanal

Meio Ambiente – 26/07/2007

Biólogos do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), órgão vinculado a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, das Cidades, do Planejamento, da Ciência e Tecnologia (Semac), e pesquisadores de universidades de Mato Grosso do Sul realizaram na terça-feira (24) a soltura de um grupo de macacos-prego em uma área de conservação ambiental de uma fazenda no Pantanal Sul.
 
A espécie faz parte da lista oficial de animais em extinção do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama).Os animais foram vítimas do tráfico de animais silvestres e estavam no Cras há cerca de cinco anos, passando por um minucioso estudo de comportamento e reabilitação, sendo preparados para retornarem ao habitat natural.
O procedimento está sendo realizado pelos fiscais ambientais Élson Borges e Vinicius Andrade, do Cras, e dos pesquisadores Déborah Dalmoro, Andréa de Moraes e Rodrigo Borghezan, que fazem parte de um projeto de pesquisa de psicologia e comportamento animal.
São cinco fêmeas e quatro machos de macacos-prego que foram libertos em uma ilha rodeada pelo corixo Touro Morto, próximo à barra do rio Aquidauana, na Fazenda Sete, no município de Miranda. No local, de vegetação nativa intocada pelo homem, há várias árvores frutíferas, das quais os pesquisadores esperam que os animais em liberdade possam se alimentar e terem condições naturais de sobrevivência, sem ajuda do homem.Apesar da abundância em alimentos na ilha, os pesquisadores terão de levar ceva nesses primeiros dias de liberdade dos macacos. Eles instalaram ainda cinco armadilhas fotográficas que disparam quando os animais passam pelos dispositivos. É uma técnica muito utilizada em projetos de pesquisa comportamental da fauna selvagem para complementar e enriquecer o estudo.
Soltura Apesar de muitos pesquisadores serem contrários à soltura dos animais, a legislação brasileira diz que a prioridade é o retorno dos animais à natureza. “As solturas são feitas com o maior rigor técnico e estamos provando, através de intensas pesquisas, que a soltura tem resultados positivos”, explica o coordenador do Cras, Vinicius Andrade. As solturas se dão em fazendas no pantanal ou em áreas de proteção ambiental. São 150 pontos cadastrados, sendo que 20 desses lugares são efetivamente destinados a alguns animais.As destinações seguem princípios básicos pré-estabelecidos com os consultores de manejo e gerenciamento de vida selvagem: espécies raras devem atender a projetos de conservação, realizados por instituições ou pesquisadores idôneos, previamente identificados e devidamente autorizados pelo Ibama e os comitês das espécies; espécimes comuns, recém capturadas na natureza, são preferencialmente soltas em habitat natural após pequeno período de tempo no Cras; já os animais comuns oriundos de cativeiros são encaminhados a instituições ou utilizados em casos de repovoamentos, de acordo com as condições do animal.Desde 1992, muitas solturas são realizadas em hotéis-fazenda no Pantanal, onde o repovoamento revela grande sucesso na sobrevivência dos indivíduos. Essas empresas atendem todas as normas e exigências pré-estabelecidas pelo Cras, de olho no exigente público, em boa parte turistas estrangeiros ávidos pela fauna pantaneira.MonitoramentoApós a liberação dos animais na natureza, eles serão monitorados diariamente até a próxima sexta-feira. Em seguida, técnicos ambientais fazem visitas mensais às fazendas, por um período de um ano, colhendo informações. O monitoramento consiste na observação das reações dos animais em relação a aproximação de predadores e do instinto de caça e alimentação, uma vez que até então os macacos estavam sendo alimentados pelos tratadores do Cras.Localizado em Campo Grande, o Cras realiza a recepção, triagem e destinação de animais silvestres apreendidos durante operações de fiscalização efetuadas pela PMA, Ibama e Corpo de Bombeiros. Desde sua criação, já recebeu mais de 20 mil animais oriundos do tráfico, de doações da população, de casos de atropelamentos e acidentes nas estradas.Desse total, 68% são aves, 20% mamíferos e 12% répteis. As espécies que mais aparecem por lá são: o papagaio-verdadeiro, curió, canário-da-terra, tucano, arara-canindé, pássaro-preto, macaco-prego, gambá-de-orelha-branca, quati, sagüi-de-tufo-preto, veado-catingueiro, jabuti, jibóia, cágado, caiçaca, sucuri e falsa-coral.
 

Fonte: Governo do MS

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