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CPMF continua ou acaba?

Leia o artigo do Waldir Guerra: "CPMF continua ou acaba?"

Artigo – 03/12/2007

A discussão em torno da CPMF, Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, está atingindo seu ápice agora. Aprovada na Câmara dos Deputados, falta apenas o Senado para tornar-se novamente permanente – como já nos acostumamos tê-la.
 
O presidente Lula está fazendo da aprovação da CPMF no Senado uma questão pessoal; chegou ao destempero verbal atacando o partido Democratas – chamando-o pelo seu antigo nome, PFL – dizendo que só são contra os que não pagam impostos. O presidente está enganado, o DEM é contra porque faz parte do seu programa partidário a redução de impostos; como faz parte do seu programa lutar para reduzir as despesas governamentais, coisa que o partido dele, PT, já aumentou em mais de 12% só no seu primeiro mandato.
 
Quem é contra a CPMF – pois são os maiores contribuintes – são os banqueiros, os financistas, os que mexem com milhões e milhões todos os dias. Aqueles mesmos que estão recebendo bilhões em juros do governo federal (só no mês de outubro passado foram 15,3 bilhões). Esses nem querem ouvir falar em CPMF e sabe por quê? Porque a maior parte desse imposto é pago por eles. Eles, banqueiros, têm muita força junto à mídia, por isso fazem tanto barulho contra.
 
Interessante, ainda não vi ninguém sugerir ao governo que, se por ventura o Senado não aprovar a renovação da CPMF, poderia o governo, reduzir o pagamento de juros aos banqueiros. Assim, coisa pouca, uns 30% menos e em poucos meses teria compensados os 40 bilhões que perderia com a falta da CPMF. Uma atitude dessas certamente teria o total apoio até do DEM que seguramente não é partido de banqueiros.
 
Pessoalmente acredito na aprovação da CPMF pelo Senado, até porque, senadores sempre foram mais maleáveis que deputados, e lá na Câmara a coisa passou fácil, fácil. Mas torço para que os senadores consigam, em contrapartida, uma redução, não na CPMF, mas das contribuições sociais na folha de pagamento. Assim, teríamos um grande incentivo a novos empregos; empregos de carteira assinada. Torço para que, na contrapartida, o governo se comprometa a fazer uma reforma trabalhista ampla para podermos incorporar ao pleno emprego grande parte daqueles que hoje vivem do Bolsa Família.
 
Pelo que se vê do comportamento do presidente, nessa questão da CPMF, ele não está mais aceitando ter oposição, especialmente no Congresso. As atitudes de Hugo Chaves e Evo Morales parece estarem influenciando nosso chefe. Certamente, como homem esperto que tem mostrado ser, o presidente já intuiu que Brasil é Brasil e o resto dos países da América Latina, a maioria deles, são republiquetas, quando muito, tem pouco mais habitantes que a grande São Paulo. O Brasil é metade de um continente e sua economia e sua gente, somam tudo da outra dúzia de países ao seu redor. Hoje, nem mesmo os militares teriam capacidade de implantar novamente uma ditadura, tanto menos, alguns poucos instalarem aqui uma república sindicalista, socialista ou mesmo bolivariana – essa coisa esquisita até no nome que estamos nos acostumando a ouvir.  
 
Por tudo que o Brasil representa no contexto mundial, especialmente pelo que representa neste continente, não será uma questão como esta da CPMF que vai desestabilizar um governo, ou um país como o nosso; afinal, não somos republiqueta e o presidente sabe disso.
 
Quanto a CPMF, será aprovada, sim, e também se não o for, não será o fim do Brasil, acredite.
 
Waldir Guerra – Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.   
   [email protected]/

Fonte: Folha de Dourados

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