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‘Coronéis’ do interior ainda mandam no MS

– 27/08/2007

Londres Machado, André Puccinelli, Zeca do PT, João Leite Schimidt, nomes que despertam reações diversas e que representam os grupos de poder que comandam a política e as decisões mais importantes sobre os destinos do estado e da população não são tomadas sem que eles sejam consultados. Além do poder, eles têm outra coisa em comum: todos vieram do interior para ocupar o cargo mais importante do estado.
 
Não é a toa que o termo “coronel”, cunhado para designar os políticos que controlavam a política e que na época da ditadura foram investidos de autoridade pelo regime, é ainda muito forte no imaginário da população interiorana.
 
Embora os tempos sejam outros, os coronéis nunca deixaram de existir. O poder ainda continua personificado e os grupos políticos do estado centralizados em uma pessoa. Ainda hoje eles mantêm em torno de si um grupo político que lhes dá apoio e se beneficiam das benesses que o poder concede.
 
Líderes maiores dos seus partidos, os “coronéis” também controlam legendas menores, os partidos “nanicos”, que não tomam nenhuma decisão importante sem o aval dos seus protetores. Muitas filiações em partidos pequenos são impostas ou barradas pelos comandantes da política sul-mato-grossense.
 
Fátima do Sul – Londres Machado, o eterno deputado estadual está no seu décimo mandato, um recorde nacional em reeleição. Ele começou sua carreira política quando só havia um Mato Grosso, em 1967, como vereador em Fátima do Sul. Em 1971 assume pela primeira vez o mandato de deputado estadual, e em 1979, com a criação do Mato Grosso do Sul, Londres assumiu a presidência da Assembléia Constituinte. Desde seu primeiro mandato Londres Machado
Sempre esteve no comando da AL, seja como presidência ou como secretário.
 
Presente desde o primeiro capítulo da história do estado, Londres sempre foi protagonista da história do Mato Grosso do Sul e um dos principais construtores da máquina administrativa do recém criado estado. Essas raízes profundas com a máquina sempre garantiram a ele forte poder de influência em todos os governos que já passaram pelo estado. Sua atuação discreta, de bastidor, mente sobre sua real importância. Atualmente no comando do Partido Republicano (PR), Londres tem um grupo fiel que o acompanha para onde ele indica.
 
Fátima do Sul – Outro coronel filho de Fátima do Sul é o governador André Puccinelli. Na verdade, nascido na Itália, veio criança para o Brasil onde se fez Médico. Ele teve uma ascensão rápida na política. Foi secretário estadual de saúde de 1983 a 1985 e eleito deputado estadual por dois mandatos (1987 a 1995). Em 1997 foi eleito prefeito de Campo Grande e reeleito em 2001.
 
André é conhecido pelo seu temperamento forte e autoritário. Tanto na prefeitura de Campo Grande quanto, agora, no Governo do Estado, sua palavra chave é “tratorar” os adversários. Fiel ao melhor estilo do seu antigo conterrâneo istaliano, sua ordem é “fuzilar” até os companheiros que se tornarem rebeldes às suas orientações. Contudo, mais amado que odiado, com atuações administrativas convincentes, André se constituiu no político sul-mato-grossense mais forte da atualidade, controlando não só o seu partido, PMDB, mas diversas outras legendas.
 
Porto Murtinho – Zeca do PT, fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) no estado, o filho mais ilustre de Porto Murtinho saiu das margens do rio Paraguai para freqüentar o Palácio do Planalto na qualidade de amigo pessoal do presidente da República.
 
Ex-bancário e sindicalista, Zeca foi candidato a vereador em 1980, embora tenha sido o mais votado, o partido não conseguiu coeficiente eleitoral e ele ficou de fora. Em 1988 foi eleito deputado estadual e em 1998 iniciou a campanha ao governo com 2% das intenções de voto, vencendo no segundo turno com 61,2% da votação total. Em 2003 foi reeleito governador.
 
Carismático, Zeca do PT conquistou a liderança dentro do partido e comanda a maioria do diretório do PT. Embora o Partido dos Trabalhadores seja dividido em várias facções, o carisma eleitoral concede a Zeca autoridade dentro do PT, fazendo convergir nele as expectativas de poder do partido. Sua passagem por dois governos e sua amizade intima com Lula também lhe conferem controle partidário no estado, e nada é feito sem o seu consentimento.
Aquidauana – O aquidauanense João Leite Schimidt é um dos mais competentes articuladores políticos do estado. Ele elegeu-se deputado estadual em 1974e em 1978 deputado federal, sua última participação em cargo eletivo. De lá para cá, Schimidt passou a se dedicar à política de bastidor, onde desenvolveu sua habilidade em articular politicamente.
Presidente do PDT desde 1990, ele está sempre presente nas principais discussões políticas do Estado, e faz com que seu partido, embora com menor densidade parlamentar, continue a ter influência e importância nos governos.

Fonte: Folha de Dourados

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