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Coragem: 2008 é bissexto!

Dom Redovino Rizzardo – 22/12/2007

Mais uma vez, estamos chegando ao final do ano. Para mim, já foram 68 vezes. Por isso, é natural que elas se abreviem cada vez mais. Chegará o dia que em que uma delas será a última! E você, amigo leitor que me acompanhou ao longo das 50 artigos que escrevi em 2007, quantas vezes já iniciou e encerrou o ano?

Se tudo é cíclico – nada se cria e nada se destrói -, então também a vida sofre o mesmo processo. Ela jamais terminará. O que acontece é uma transformação, como São Paulo tentou explicar, ao falar da ressurreição: «O que semeias, não volta à vida se antes não morrer. O que semeias não é o mesmo organismo que surgirá. Deus lhe dará o corpo que quiser, a cada semente o próprio corpo.
ssim acontece com a ressurreição dos mortos: semeia-se corruptível, ressuscita incorruptível; semeia-se humilhado, ressuscita glorioso; semeia-se fraco, ressuscita poderoso; semeia-se um corpo animal, ressuscita um corpo espiritual» (1Cor 15, 36.38.42-44).
Talvez seja por isso que a existência humana é comparada às quatro estações do ano: o início é a infância e a adolescência, uma primavera cheia de sonhos e de ideais; passam os anos e chega a juventude – o verão, rico em vitalidade e iniciativas; em seguida, desponta o outono, a idade madura, época de serenidade e sabedoria; por fim – se a doença, o trânsito e a violência não se opuserem entramos no inverno, a última etapa neste mundo e, por isso mesmo, a porta da eternidade. É o que compreendi a partir de um texto de Chiara Lubich:
«A vida é algo que não se estagna, mas se desenvolve; que não está parada, mas se move; que, contra todos os obs-táculos, alcança a vitória; que se alastra, invade, explode. A vida é um contínuo tender à ordem, à saúde e à paz.
Esta seria a vida do homem se não tivesse pecado. Sem dúvida, se o merecermos, na outra vida, ela será assim.
A vida é uma passagem importante: a provação é aqui. Aliás, o que eu tiver deixado Jesus construir em mim é que ficará eternamente gravado na outra vida. Cada gesto meu, cada momento, cada respiro meu, tudo terá projeção na eternidade. Cada minuto de minha vida aqui condiciona a vida lá. O paraíso é uma casa que se constrói aqui e se habita lá!
A vida que nos resta (meses, anos…) não pode deixar de se apresentar a nós como uma grande ocasião, uma oportunidade única, que não podemos perder, na qual possamos realizar algo de verdadeiramente belo, grande, santo.
Mas, como? Jesus disse de si mesmo: “Eu sou a Vida” (Jo 14, 6). Falando desse mo-do, Jesus queria se referir àquela vida sobrenatural que Ele veio nos comunicar na terra: uma vida extraordinária que não morre, que dura sempre.
É com essa Vida que nós podemos transformar a nossa vida terrena em algo maravi-lhoso, divino, grande; que podemos colaborar para a realização do desígnio de Deus sobre a humanidade e produzir frutos extraordinários, imperecíveis.
É sempre um espetáculo surpreendente ver, na primavera, o efeito do calor do sol ao tocar a natureza. Tudo desperta, os rebentos adquirem força, as árvores cobrem-se de ver-de e revestem-se de flores.
Contudo, mesmo durante o inverno, a terra guardava as sementes que agora palpitam de vida, mas é o sol que as faz germinar. Não é a primavera marcada pelo calendário que provoca essa explosão de vida. É o sol, é o seu calor que gera. Se o sol vem antes, mesmo quando ainda é inverno, a terra não pergunta se já é primavera, mas germina da mesma forma.
Assim como na natureza o sol faz despontar a vida, do mesmo modo somente o Amor no coração humano pode fazer triunfar a vida».
Na apresentação que preparei para a “Agenda Coração”, deixei um recado que me es-tá no coração: «Para o cristão, a agenda fala da obra-prima que Deus vai burilando a ca-da instante em seu coração. Com o salmista, ele reza: “Não deixes inacabada a tua obra, Senhor!” Cada dia vivido no amor se transforma num passo rumo à santidade. Mas tam-bém quando a fraqueza nos fez claudicar, a Misericórdia do Senhor nos leva a recomeçar. E cada vez que recomeçamos, o amor se purifica e cresce.
Por ser bissexto, o ano de 2008 terá um dia a mais. Mas, mesmo que alguém não chegue a completar os 366 dias desse ano aqui na terra, vale a pena lembrar que, para Deus, o que conta não é uma vida longa, mas uma vida plena. E o que plenifica a vida é o amor». Dom Redovino Rizzardo, cs [email protected]

Fonte: Folha de Dourados

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