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Comportamento agressivo de Puccinelli desagrada aliados

Lideranças estão preocupadas com impopularidade do governador por causa do destempero verbal e falta de compostura

Eleições 2008 – 28/04/2008

Em Dourados, o vazamento de pesquisas eleitorais encomendadas tanto pela situação como pela oposição ao prefeito Laerte Tetila (PT) vem causando preocupação aos aliados do governador André Puccinelli (PMDB). Mas, não pela constatação da liderança ainda folgada do deputado estadual Ari Artuzi (PDT) ou pela decolagem do petista Wilson Biasotto, por exemplo. E sim, pela queda brusca da popularidade de Puccinelli, provocada pela acidez de suas declarações ao longo de 16 meses à frente do Governo do Estado. Essa é uma revelação irrefutável das pesquisas qualitativas.
            Como aparentemente não será fácil derrotar Biasotto, um candidato cacifado com os aprovados governos de Tetila e Lula, e mesmo o populismo de Artuzi, cuja candidatura permanecerá como uma incógnita até o limite dos prazos eleitorais, lideranças de vários partidos articulam, reservadamente, para fazer chegar até ao governador, via assessores próximos, um recado de que é preciso maneirar e evitar impropérios públicos.
            Essas lideranças sabem que o governador é o principal cabo eleitoral na disputa pela Prefeitura de Dourados. Sua liderança é incontestável. Mas, fragilizado pela descompostura e destempero verbal acabará beneficiando os adversários. Aliás, as pesquisas qualitativas vêm revelando há muito tempo que o eleitor abomina as grosserias na política. Puccinelli, com certeza, sabe disso e, por isso, na avaliação dos líderes, que preferem o anonimato, essa estratégia “de palanque” deve ser abolida, até mesmo porque o governador não é candidato.
            Essa postura incompatível com o cargo que ocupa acabou por beneficiar Artuzi, que se safou da cassação por trocar o PMDB pelo PDT, argumentando que fora discriminado por Puccinelli e pelo deputado federal Geraldo Resende. Nas entrelinhas o presidente do TRE/MS, desembargador Oswaldo Rodrigues de Melo, entendeu que houve discriminação pessoal e perseguição política contra o parlamentar e impôs, com o voto minerva, uma severa derrota política ao governador, que declaradamente elegeu Artuzi como seu principal desafeto político em Dourados.
            “As chacotas e piadas ocorridas durante as diversas expressões já anotadas, as quais foram produzidas por um membro de elevado escalão na estrutura interna do PMDB, bem como a adoção festiva de um deputado federal nos quadros do partido, a partir do que se alterou a relação política do requerido (Artuzi) com o comando partidário e filiados, não há dúvida de que, sendo homem simples ou não, deixou de existir uma referência associativa que justificasse a permanência do requerido no PMDB”, sentenciou Oswaldo Melo.
            Em várias ocasiões públicas, Puccinelli chamou Artuzi de “animal de pelo curto”, desdenhou de sua baixa escolaridade e criticou falha em sua arcada dentária, entre outras ofensas registradas, inclusive, pela imprensa. Além disso, o governador vem desrespeitando prefeitos, desdenhando de lideranças estudantis e ordenando “atirar pra matar” em presidiários. (José Henrique Marques) 
 

Fonte: Folha de Dourados

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