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Como agia o homem apontado pela PF como o maior ladrão de livros raros do Brasil

Laéssio Rodrigues de Oliveira, apontado pela Polícia Federal como o maior ladrão de livros raros do Brasil, voltou a ser preso após novas investigações sobre furtos de obras históricas e até roubos de quadros valiosos em São Paulo.

Segundo investigadores, ele já foi preso ao menos 11 vezes e é suspeito de furtar livros centenários avaliados em milhões de reais para abastecer o mercado ilegal de obras raras.

Imagens obtidas pela investigação mostram Laéssio e comparsas dentro de bibliotecas e instituições históricas. Em um dos casos, registrado neste ano no Clube Português, em São Paulo, o grupo aproveita a saída de uma funcionária para esconder livros históricos dentro da roupa.

De acordo com a investigação, 16 livros centenários foram levados.

Fabíola Neves, representante da instituição, afirma que é difícil estimar o valor das obras furtadas. “São obras de 1600, 1700”, disse.

Disfarce de pesquisador

Como agia o homem apontado pela PF como o maior ladrão de livros raros do Brasil — Foto: Reprodução/TV Globo

Como agia o homem apontado pela PF como o maior ladrão de livros raros do Brasil — Foto: Reprodução/TV Globo

Segundo o Fantástico, Laéssio voltou também ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, local onde já havia furtado peças em 2006.

Desta vez, ele e os comparsas se apresentaram como pesquisadores interessados em documentos ligados à Revolução Constitucionalista de 1932.

O diretor da instituição, João Tomás do Amaral, desconfiou do grupo e reconheceu Laéssio mesmo usando máscara. “Eu identifiquei pela testa”, contou.

Segundo ele, o suspeito não conseguiu levar nada nessa nova tentativa. Já no crime de 2006, peças históricas desapareceram e nunca foram recuperadas.

João Tomás afirma que esse tipo de furto representa uma perda histórica difícil de medir. “Nós perdemos parte da nossa identidade”, afirmou.

Obsessão por livros raros

Laéssio virou personagem de um documentário sobre roubos de patrimônio histórico — Foto: Reprodução/TV Globo

Laéssio virou personagem de um documentário sobre roubos de patrimônio histórico — Foto: Reprodução/TV Globo

Laéssio virou personagem de um documentário sobre roubos de patrimônio histórico. A produção mostra que a obsessão dele começou por materiais ligados à cantora Carmen Miranda. Segundo o próprio suspeito, a primeira revista furtada tinha a artista na capa.

As investigações apontam que ele atuava de diferentes formas para acessar os acervos. Segundo a Polícia Federal, um dos métodos era tentar subornar vigilantes para facilitar os furtos e substituir livros originais por réplicas.

Em um áudio obtido pela investigação, Laéssio oferece dinheiro a um funcionário para conseguir acesso às obras.

“Eu não sei se você tem casa própria, se você quer fazer uma faculdade, se você quer comprar um carro”, diz ele na gravação.

A PF afirma ainda que uma mulher teria sido recrutada para tentar seduzir vigilantes e ajudar na ação criminosa. Laéssio e dois comparsas foram presos recentemente em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Suspeita de participação em roubo de quadros

As investigações avançaram e ligaram Laéssio também ao roubo de 13 obras de arte da Biblioteca Mário de Andrade, ocorrido no ano passado. Entre as obras roubadas estavam quadros de Henri Matisse e Candido Portinari.

Segundo a Polícia Civil de São Paulo, Laéssio é apontado como o mentor intelectual do crime.

Investigadores encontraram mensagens trocadas entre ele e Gabriel Rodrigues Pereira de Mello, identificado como um dos criminosos envolvidos na ação.

Em outra gravação, Laéssio afirma que estava “migrando” dos furtos de livros para os roubos de quadros. “Minha especialidade mesmo é livro”, diz ele no áudio.

Nenhuma das obras roubadas foi recuperada até agora. Mesmo preso, Laéssio recebeu mais um mandado de prisão.

Para as instituições vítimas dos furtos, a principal preocupação continua sendo encontrar as obras desaparecidas. “Quem são os receptadores dessas obras?”, questionou Fabíola Neves.

(Informações g1)

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