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Comércio comemora retomada de vendas

Brasil – 13/08/2009

O segundo trimestre marcou a retomada no ritmo de crescimento da receita das principais redes varejistas, após a desaceleração resultante dos efeitos da crise financeira internacional sobre o consumo. Diante dessa nova realidade, algumas companhias revisaram as projeções de abertura de lojas ainda para este ano, estimuladas pelo desempenho operacional favorável do primeiro semestre. Neste segundo semestre de 2009, os resultados devem ser beneficiados ainda pela redução das despesas financeiras, em razão da queda dos custos de captação e da taxa Selic.
Um dos principais casos de recuperação das vendas no varejo encontra-se nos segmentos de maior valor agregado, com destaque para B2W, empresa de comércio eletrônico resultante da fusão dos sites Americanas.com e Submarino. Antes da crise, a empresa vinha com um crescimento de 36% na receita consolidada, resultado que desacelerou para 12% no quarto trimestre de 2008 e 6% nos três primeiros meses deste ano. Essa redução no ritmo de crescimento ocorreu pela restrição às vendas parceladas a partir de outubro do ano passado, devido às incertezas quanto ao comportamento da inadimplência. No entanto, a situação se reverteu de abril a junho, com a receita subindo 22% sobre igual período do ano passado.
“Por meio de políticas comerciais mais eficientes, como a otimização do parcelamento, a B2W conseguiu apresentar um ritmo melhor de vendas”, afirma, em relatório, o analista do setor de consumo da Ágora, Alan Cardoso. O especialista destaca ainda que “a companhia apresentará no segundo semestre um ritmo de evolução no mínimo em linha com o observado no segundo trimestre, dada a forte recuperação observada”. Os resultados da B2W no segundo trimestre foram beneficiados ainda pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para geladeiras, máquinas de lavar e fogões. “A medida (IPI) estimulou o aquecimento da demanda”, afirmou, em teleconferência, o diretor de Relações com Investidores da B2W, José Timóteo Barros.
Roupas parceladas
Entre as empresas varejistas, as do setor de vestuário foram as que apresentaram os piores resultados nos dois trimestres que se seguiram à crise. Mais da metade das compras realizadas pelos clientes nestas redes ocorrem a partir do parcelamentos nos cartões, que tiveram seus prazos encurtados e os juros na ponta elevados. A Lojas Renner, por exemplo, apresentou queda de 5,4% na receita líquida das vendas no conceito mesmas lojas no quarto trimestre, resultado que piorou no período de janeiro a março deste ano, quando o recuo foi de 12%, ambos na comparação com igual período do ano imediatamente anterior. No segundo trimestre, a situação voltou a ser favorável, com uma alta de 2,1%.
“Os fatores macroeconômicos, como a estabilidade na taxa de desemprego, a redução dos juros e a volta da confiança do consumidor, junto com a queda nas temperaturas, ajudaram nos resultados do segundo trimestre”, concluiu o diretor administrativo e de relações com investidores da Lojas Renner, José Carlos Hruby, ao comentar os resultados. Segundo o executivo, o quarto trimestre deverá marcar a recuperação das vendas da empresa, em razão, principalmente, da baixa base de comparação, mas não descartou que o desempenho de julho a setembro se assemelhe com o reportado no segundo trimestre. “Tivemos um crescimento generalizado em todas as regiões do País.”

Revisão de inaugurações
Outra rede varejista de vestuário que prevê uma melhora das vendas a partir do segundo semestre é a Marisa. Diante dos resultados de janeiro a junho, a empresa pretende acelerar seu ritmo de inaugurações de lojas ainda para 2009 – de seis, anunciada no início do ano, para nove. “Com a retomada da confiança, acreditamos que as vendas irão recuperar a queda do início do ano”, afirmou o diretor-presidente da rede varejista Marisa, Marcio Goldfarb. De acordo com ele, as vendas “já ficaram positivas em julho”, após recuarem 1,9% no acumulado do primeiro semestre na comparação com igual período de 2008.
No caso das empresas varejistas que comercializam produtos com tíquete médio menor, como é o caso da Lojas Americanas, cujos produtos possuem um valor médio de R$ 31,69, a precaução em relação aos efeitos da crise levou a uma redução das inaugurações previstas para 2009. No entanto, as vendas mantiveram-se aquecidas. Diante do crescimento de 10% das vendas no conceito mesmas lojas do primeiro semestre, o diretor financeiro e de Relações com Investidores da Lojas Americanas, Roberto Martins, afirmou que pretende acelerar o ritmo de expansão a partir do segundo semestre, incluindo a revisão das expectativas para as aberturas deste ano de oito para até 14 pontos-de-venda.
Cuidado com o caixa
Já para 2010, a Lojas Americanas pretende retomar o ritmo de inaugurações do período pré-crise, com a inauguração de até 50 novas unidades, com investimentos que poderão atingir R$ 100 milhões. “Pretendemos voltar ao ritmo de expansão dos últimos anos”, afirmou Martins. Em 2006, foram 45 aberturas, número que passou para 50 lojas, em 2007, e 58 lojas no ano passado. Segundo o executivo, parte da expansão será financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Estamos trabalhando para a contratação de uma nova linha do BNDES, para as aberturas previstas de 2010 a 2012.”
O Grupo Pão de Açúcar, após adquirir o controle do Ponto Frio, também prevê acelerar as aberturas de supermercados no segundo semestre. A expectativa do vice-presidente executivo da companhia, Enéas Pestana, é de que, após “tomar um maior cuidado” na gestão do caixa no primeiro semestre, quando foram inauguradas seis lojas, o grosso das inaugurações se concentrem de julho a dezembro. Segundo Pestana, a companhia deverá entregar mais 50 lojas da bandeira Extra Fácil, 8 Assai, 6 Pão de Açúcar e 4 hipermercado Extra, além de mais 15 drogarias e 10 postos de gasolina. Os investimentos no ano deverão somar R$ 750 milhões, sendo aproximadamente R$ 500 milhões na segunda parte do ano.

Fonte: AE

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