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Com surto de chikungunya, aldeias fecham escolas na Reserva Indígena de Dourados

Lideranças indígenas pediram suspenção das aulas por conta da epidemia de chikungunya que já matou quatro pessoas na aldeia de Dourados. Segundo o cacique Vilmar Machado, há alta quantidade de funcionários e alunos infectados, o que impede o funcionamento das quatro escolas da RID (Reserva Indígena de Dourados) desde esta quarta-feira (18).

O município aguarda reuniões com o Ministério da Saúde para avaliar a possibilidade de decretar Situação de Emergência Sanitária, o que poderia levar ao fechamento temporário de escolas. No entanto, a prefeitura de Dourados afirma que, se houver escolas fechadas hoje (18), não é por determinação da Semed (Secretaria Municipal de Educação).

Ainda conforme a prefeitura de Dourados, trabalhadores das escolas na reserva indígena mostram-se contrários à paralisação das atividades. Eles prefeririam manter o calendário escolar, para evitar a necessidade de reposição de aulas posteriormente. Assim, a decisão depende da avaliação conjunta sobre o decreto de emergência sanitária.

Por outro lado, o cacique Vilmar Machado defende que, com tanta gente contaminada pela doença, a continuidade das aulas é inviável. “Não tem como manter as aulas. Nós decidimos paralisar as aulas por uns dias para ver o que acontece”, explica.

Comunidade escolar adoecida

Por fim, as Escolas Municipais Francisco Meireles e Indígena Ramão Martins, também têm, conforme o cacique, vários professores e funcionários administrativos doentes, além de uma boa porcentagem de alunos com chikungunya. “As aulas já foram suspensas, hoje (18) não está tendo aula nas quatro escola”, afirma.

De acordo com o jornal Mídia Max, o cacique Vilmar Machado, só a Escola Estadual Indígena Guateka Marçal de Souza tem 20 funcionários com suspeita de chikungunya, entre merendeiros, zeladores e oito professores, e cerca de 10% dos alunos com sintomas. A Escola Municipal Indígena Tengatiu Magangatu também teria vários funcionários administrativos e cerca de 30% dos alunos com suspeita.

Força Nacional do SUS

Equipe da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) chega à cidade nesta quarta-feira (18) e deve realizar reuniões com prefeitura, Estado e entidades indígenas. O objetivo é avaliar o cenário epidemiológico e definir ações prioritárias, informa o Ministério da Saúde.

A prefeitura de Dourados adiciona que os técnicos irão estudar a necessidade do decreto de emergência. “Será uma decisão conjunta”, afirma nota da administração. Se a emergência for decretada, a prefeitura pode deliberar pela suspensão das aulas, mas tudo depende das reuniões com a equipe do Ministério.

A partir de quinta-feira (19), a Força Nacional do SUS deve reforçar os trabalhos de mutirão de prevenção das arboviroses, com visitas às residências para eliminar focos do mosquito Aedes Aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya. Neste momento, as equipes estão em deslocamento a Dourados.

Quatro mortes

O Ministério da Saúde confirmou a quarta morte por chikungunya em Mato Grosso do Sul na terça-feira (17). Todas as vítimas são de Dourados, onde comunidades indígenas vivem epidemia da arbovirose transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti.

A quarta morte, conforme a Secretaria de Saúde de Dourados, é de uma mulher de 60 anos, com comorbidades. Ela morreu na quinta-feira (12). Uma semana antes, um bebê de apenas três meses também morreu de chikungunya na cidade. As outras vítimas são idosos de 69 e 73 anos.

Em apenas dez dias — entre 7 e 17 de março —, o número de casos prováveis subiu 7,89% em Mato Grosso do Sul. Eram 2.446 registros, e o número saltou para 2.639. O Estado segue liderando a incidência nacional de chikungunya, com 90,2 casos prováveis a cada 100 mil habitantes. No Brasil, a incidência é de apenas 7,8.

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