Bosco Martins é jornalista e escritor –
O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), está no seleto grupo de nove chefes de Executivo estadual que poderão disputar a reeleição em 2026. Em um universo de 27 governadores, a maioria está impedida de concorrer por já exercer o segundo mandato consecutivo. O cenário nacional, portanto, será marcado por forte renovação nos estados — mas, em MS, a tendência é de continuidade.
Riedel chega ao ciclo eleitoral após uma mudança partidária significativa. Em 2025, deixou o PSDB, legenda que, com sua saída, ficou sem governadores pela primeira vez desde a fundação. A filiação ao PP, partido da senadora Tereza Cristina, redesenhou o eixo político do governo sul-mato-grossense e ampliou sua inserção em um campo mais alinhado ao centro-direita nacional.
“Em 2025, Riedel deixou o PSDB, legenda que, com sua saída, ficou sem governadores pela primeira vez desde a fundação”
No plano local, o principal nome colocado no campo da oposição é Fábio Trad (PT), que deve polarizar o debate estadual. A disputa, contudo, tende a ser influenciada pelo ambiente nacional e pelas articulações presidenciais, já que os palanques estaduais estarão fortemente conectados ao xadrez de Brasília.
“No plano local, o principal nome colocado no campo da oposição é Fábio Trad (PT), que deve polarizar o debate estadual”
Pelas regras eleitorais, governadores que disputam a reeleição podem permanecer no cargo durante a campanha. Já aqueles que pretendem concorrer à Presidência da República ou ao Senado precisam renunciar até seis meses antes do pleito — em 2026, o prazo final será 4 de abril. Essa exigência deve provocar mudanças importantes em diversos estados, com vices assumindo governos no meio do caminho.
No Nordeste, cinco governadores estão aptos a buscar novo mandato, três deles filiados ao PT, o que reforça o peso regional do partido. No Sudeste, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, também sinaliza disputar a reeleição, apesar das pressões para ingressar na corrida presidencial.
Em contraste, nomes como Romeu Zema (Novo), Ratinho Júnior (PSD) e Eduardo Leite (PSD) não poderão concorrer novamente ao governo e avaliam projetos nacionais ou vagas no Senado. O resultado é um mapa político em transição, com estados estratégicos renovando lideranças enquanto outros apostam na continuidade administrativa.
“Em Mato Grosso do Sul, a presença de Riedel na disputa consolida o estado dentro do grupo que poderá testar, nas urnas, a força do incumbente”
Em Mato Grosso do Sul, a presença de Riedel na disputa consolida o estado dentro do grupo que poderá testar, nas urnas, a força do incumbente. Mais do que uma eleição local, 2026 será um pleito de múltiplas camadas: estadual, nacional e ideológica, com reflexos diretos na formação do Congresso e na governabilidade do próximo ciclo presidencial.

