À medida que a guerra no golfo avança para o seu segundo mês, arrastando a economia global sem uma saída à vista, aprofundam-se as questões sobre qual papel a China – um peso pesado global e parceiro diplomático do Irã – está disposta a desempenhar.
O papel potencial da China esteve em destaque nesta semana após o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, visitar Pequim na terça-feira (31) para conversas com seu principal diplomata, Wang Yi — um encontro que ocorre no momento em que Islamabad se posiciona como mediadora de paz no conflito.
Em um comunicado sobre a “restauração da paz” divulgado na terça-feira, ambos os países pediram um “cessar-fogo imediato”, negociações de paz “o mais rápido possível” e uma paz duradoura apoiada pela ONU (Organização das Nações Unidas).
A iniciativa é a visão mais detalhada de Pequim até o momento sobre como o conflito deve ser resolvido. Ela também pede a segurança das rotas marítimas; o fim dos ataques a civis e alvos não militares; e a salvaguarda da soberania e segurança tanto do Irã quanto dos estados do Golfo.
Mas essa posição, expressa em linhas gerais, também levanta questões sobre quais passos concretos Pequim tomaria em um futuro processo de paz.
O quão profundamente ela está disposta a se envolver em um conflito que ocorre em uma região volátil, onde equilibra relacionamentos com parceiros de ambos os lados?
Fontes oficiais paquistanesas disseram à CNN Internacional que uma das coisas que Dar provavelmente discutiria enquanto estivesse na China era a possibilidade de Pequim atuar como garantidor para assegurar um acordo de paz.
Duas fontes paquistanesas também confirmaram que, enquanto uma reunião de quatro vias entre Turquia, Arábia Saudita, Egito e Paquistão estava em curso em Islamabad no início desta semana, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, realizou reuniões na embaixada da China para discutir a situação regional atual.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão se recusou a responder a perguntas na terça-feira sobre as discussões com a China, afirmando que essas conversas são muito “sensíveis e complexas” para que o MOFA (Ministério das Relações Exteriores) faça quaisquer declarações baseadas em suposições.
O Ministério das Relações Exteriores da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da CNN Internacional.
O Irã deu sinais mistos. O presidente Masoud Pezeshkian disse na terça-feira que o país estava pronto para parar de lutar sob certas condições, “especialmente as garantias necessárias para evitar a recorrência da agressão”, de acordo com a mídia estatal iraniana. Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, disse que o Irã está preparado para “pelo menos seis meses” de guerra.
O Paquistão se ofereceu para realizar conversas entre seu vizinho Irã e os EUA, aproveitando sua posição como uma potência com laços estáveis com ambos.
A viagem de Dar à China na terça-feira foi a convite de Wang, de acordo com comunicados de ambos os ministérios das relações exteriores.
(Informações R7)

