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Com duas ‘certezas’, impasse em indicação do Incra em MS continua

Sem-terra – 22/02/2008

A novela da indicação para presidência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Mato Grosso do Sul continua. Os sem-terra desocuparam a sede do órgão em Campo Grande e Jardim com base nas informações das lideranças dos trabalhadores, que estiveram em Brasília e trouxeram a garantia da permanência de Luiz Carlos Bonelli no cargo. Do outro lado, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, teria confirmado a exoneração de Bonelli e a nomeação de Flodoalvo Alves para o cargo. A sede do Incra em Campo Grande e Jardim foram ocupadas na quarta-feira (20), assim como um trecho da BR-163, em Naviraí, em continuidade aos protestos iniciados desde o começo do mês, contra a saída de Bonelli do cargo. Os trabalhadores rurais alegam que a mudança na presidência pode atrasar os processos de assentamento e são contra a nomeação de Flodoalvo Alves para a função, nome indicado pelo senador Valter Pereira (PMDB). “A gente saiu do prédio por causa dessa certeza”, disse uma das coordenadoras do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, Maria de Fátima Vieira. Segundo ela, as lideranças do MST e da Federação dos Trabalhadores em Agricultura de Mato Grosso do Sul (Fetagri), que estiveram em peregrinação em Brasília anteontem e ontem, garantiram a permanência de Bonelli. “Temos a garantia dada pelo Half Hackbart (presidente do Incra) e do Cassel (Guilherme Cassel, ministro do Desenvolvimento Agrário)”, afirma, acrescentando que há também a confirmação dada pela bancada petista.
Em Brasília, a informação é outra: o ministro José Múcio Monteiro teria dito que independentemente dos bloqueios promovidos pelos sem-terra, Bonelli seria exonerado e a indicação de Valter Pereira para o cargo estava mantida. Pereira tem evitado se manifestar sobre o assunto, dizendo que depois que apontou o nome de Flodoaldo Alves para o cargo não fez qualquer intermediação. “Para mim é assunto encerrado”, disse, em entrevista anterior ao site da TV Morena. Em Mato Grosso do Sul, os sem-terra avisam: “Temos a palavra do presidente do Incra e do ministro, mas a palavra final é do Lula; em consideração a bancada federal, as famílias se retiraram, mas todos estão de prontidão; a qualquer momento, qualquer outra investida, vamos voltar, não vamos permitir que se façam manobras na surdina”, afirma Maria de Fátima Vieira.

Fonte: Folha de Dourados

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