Pular para o conteúdo
Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 Dourados 26 °C

Desde 1968 Ano 58

Desde 1968 · Ano 58

Agora
Arquivo

Colombiano admite suborno na Copa de 78 e na Libertadores

Futebol – 15/12/2007

Um dos maiores escândalos da história do futebol mundial ganhou um novo capítulo ontem. O colombiano Fernando Rodríguez Mondragón, filho do narcotraficante Gilberto Rodríguez Orejuela, que era chefe de um cartel em Cáli, confirmou ter presenciado um suborno dos argentinos para que os peruanos, no último jogo da fase semifinal, permitissem uma goleada no mínimo por 4 a 0 para que os hermanos chegassem à final da Copa do Mundo de 1978.
Em entrevista à Terra Magazine, Mondragón revela que seu tio, Miguel Rodríguez Orejuela, intermediou a negociação entre os países que valeu US$ 50 mil extra para cada um dos peruanos que atuaram na partida, encerrada com uma vitória por 6 a 0 da Argentina. O colombiano afirma que o falecido vice-almirante argentino Carlos Lacoste, que foi vice-presidente do Comitê Organizador da Copa, se encontrou em Lima, no Peru, com “o presidente e o tesoureiro da FPF (Federação Peruana de Futebol)” ao lado de um representante da Associação de Futebol Argentino. Mondragón, no entanto, garante que o cartel não pagou dinheiro algum.
O colombiano alega que quatro dos peruanos que estiveram em campo foram subornados. “A FPF, que também recebeu dinheiro, decidiu mandar quatro jogadores chaves, que eram a estrutura da equipe, de experiência e liderança. O goleiro (Ramón) Quiroga e (Juan) Muñante, que desferiu um chute na trave no início da partida, mas queria chutar pra fora, porque da posição em que estava era mais difícil colocar pra fora do que fazer o gol. E também um zagueiro e um volante”, afirmou, completando que o acordo também valeu a cessão gratuita de trigos argentinos para o Peru. A promessa é de mais detalhes em um livro a ser publicado em breve.
Mondragón alega que os jogadores argentinos não deviam saber do suborno. “Creio que não sabiam. E mais, creio que a Argentina, com a pressão local etc, teria feito os quatro gols (sem necessidade de acordos extras)”, alegou, aproveitando para revelar que não acredita em mudança do resultado. “Agora já não se fará mais nada, passaram-se 30 anos. Nem mesmo o prejudicado, Brasil, nunca fez uma denúncia formal ou algo do tipo”.
Na entrevista, o colombiano também diz que a participação de sua família na negociação se deve à proximidade de seu tio com dirigentes peruanos. “Meu tio tinha feito amizade com o presidente da FPF porque queria levar grandes jogadores peruanos para o América. Mas o cartel não pôs dinheiro. O dinheiro foi todo argentino. Meu tio só fez o contato”, repete, completando com outras influências da organização no futebol sul-americano.
“Meu tio não deixava os árbitros que vinham à Copa Libertadores da América pagar nada. Eles se encantavam ao vir a Cali, porque tinham tudo pago.(…) Mas o América (de Cali) não pôde ganhar a Libertadores porque (João) Havelange (ex-presidente da Fifa) era contra o narcotráfico”, completou.
Tentativa de suborno contra o Palmeiras – Mondragón também revelou, na mesma entrevista, que até o único título da Libertadores conquistado pelo Palmeiras, em 1999, esteve perto de não acontecer. O seu cartal teria tentado subornar os árbitros da decisão contra o Deportivo Cali.
“Na final de 1999, contra o Palmeiras, juntamos US$ 200 mil para os árbitros, mas quatro horas antes da partida nos devolveram, porque Havelange havia dito (aos árbitros) que se recebessem esse dinheiro ele os complicaria”, contou, emendando acusações contra árbitros sul-americanos.
“(O ex-jogador peruano Oswaldo) ‘Cachito’ Ramírez, inspetor da Fifa era muito amigo do meu tio. (…) (o árbitro colombiano) J.J. Torres, que apitava quase sempre para os times argentinos na Libertadores, que pagavam US$ 50 mil dólares por partida. Todo mundo sabia disso em Cali. A influência de (Julio) Grondona (presidente da AFA) desde que o nomearam”, finaliza.

Fonte: Folha de Dourados

Anuncie na Folha de Dourados

Desde 1968 informando Dourados e a Grande Dourados.

Fale com o comercial