Cientistas querem mecanismo para proteção da biodiversidade
Meio Ambiente – 26/02/2009
Os cientistas pretendem criar um mecanismo internacional especializado em biodiversidade para serem ouvidos pelas autoridades que tomam decisões nesta área, como o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), mas alguns países, como o Brasil, preocupados em proteger sua soberania, estão relutantes.A ONU decidiu, mesmo assim, ir adiante: o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), anunciou nesta quinta-feira, em Nairóbi, sua decisão de organizar uma reunião intergovernamental dedicada a este assunto “o mais rápido possível em 2009″.A ideia da criação de um IPCC da biodiversidade foi lançada pela França em janeiro de 2005, na Conferência Internacional de Paris.No entanto, alguns países como o Brasil ou a Colômbia, que possuem uma fauna e uma flora de uma riqueza excepcional, manifestaram suas reticências.”Eles não querem que nós nos intrometamos no que acontece no país deles”, disse Maxime Thibon, especialista da Fundação francesa para a biodiversidade, presente em Nairóbi.Contrariamente ao clima, que é um fenômeno global, a erosão da biodiversidade é localizada.Outros países, como a China, questionam a necessidade de adotar uma nova ferramenta, mas já existem diversas convenções internacionais, como a Convenção sobre a diversidade biológica.O clima tem o IPCC, mas não existe mecanismo para avaliar a erosão da biodiversidade no mundo.Entretanto, este tema é bastante fundamental, tanto para a redução da pobreza, o abastecimento em água potável, os conflitos ligados à utilização e à apropriação de recursos renováveis, como para a saúde.Mas com a complexidade destas questões, a comunidade científica responsável por este assunto é muito fragmentada e, de repente, não consegue se fazer ouvir pelas autoridades políticas, que são as que tomam as decisões.Um projeto de criação de uma Ipbes (Plataforma intergovernamental científica e política sobre a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos) está sendo estudado. O ministro francês do Desenvolvimento sustentável, Jean-Louis Borloo, defendeu o projeto em Nairóbi.”Claro, existem problemas de soberania, mas precisamos encontrar soluções”, disse.O Brasil se defende de querer conter o projeto: “Nós não somos nada contra”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em Nairóbi. Ele deseja no entanto que este futuro mecanismo seja colocado sob tutela da CBD, o que dificultaria o processo, segundo os defensores desta Ipbes.Os EUA se interessaram pela ideia, afirmou Daniel Reifsnyder, chefe da delegação americana na capital queniana.A reunião intergovernamental anunciada pelo Pnue deve permitir “fixar o método e o calendário para que o Giec da biodiversidade seja operacional em 2010”, destacou o francês Christophe Aubel, diretor da liga Roc.O ano de 2010 é o limite para o comprometimento internacional para desacelerar significativamente a erosão da biodiversidade e será para a ONU o ano da biodiversidade.
Fonte: Folha de Dourados



