Pular para o conteúdo
Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 Dourados 26 °C

Desde 1968 Ano 58

Desde 1968 · Ano 58

Agora
Arquivo

Ciência prova que casamento faz bem à saúde

Case-se – 05/02/2008

O aposentado José Calarge já ganhou – e perdeu – dinheiro de todo jeito. Em ações na bolsa, numa empresa de publicidade e até com plantação de café. Na juventude, pintou e bordou, bebendo com Tom Jobim em Ipanema e farreando nos cabarés de Laranjeiras. Aos 79 anos, mora com conforto, mas sem excessos, em uma cobertura em Ipanema. À exceção dos problemas na coluna e nos joelhos, devido ao fanatismo por futebol, tem saúde de ferro. De todos os antídotos, o mais certeiro e duradouro é Helena, uma elegante mulher de 76 anos de idade com a qual se casou há 56, sem imaginar que, ao levá-la ao altar, acabava de garantir uma vida longa. “Se não fosse ela, eu nem estaria vivo”, reconhece, dirigindo à companheira um olhar jovial. Helena sorri com discrição e pede licença para atender o telefone. É do laboratório, avisando que o exame para verificar risco de câncer de próstata do marido está pronto. “Ela me obriga a fazer o exame de seis em seis meses. Esses e muitos outros. Tomo remédio mais para evitar a cobrança dela do que por mim.”
Os septuagenários Calarge e Helena ilustram algo que a ciência já constatou: casamento faz bem à saúde. Pesquisas afirmam que os solteiros sofrem mais de doenças mentais, respiratórias, cardiovasculares, câncer e têm maiores taxas de suicídio. Além disso, a vida a dois ajuda as pessoas a lidar melhor com o stress. As situações estressantes põem em funcionamento hormônios, glândulas e circuitos neurológicos. No cérebro, o hipotálamo determina a produção de cortisol. Este hormônio diz ao organismo para esquecer suas necessidades metabólicas básicas e se concentrar no que é necessário para enfrentar a adversidade. O stress do dia-a-dia, como trânsito, contas a pagar e falta de tempo, coloca o organismo neste constante estado de alerta. Pressão alta e dores de cabeça são duas das conseqüências deste estilo de vida. “Ao fim, a pessoa viverá menos e infeliz”, diz o neurocientista James Coan, da Universidade de Virginia.
Os homens são os maiores beneficiários do casamento como fator desestressante. Estudo publicado na última edição do jornal Health Psychology, dos Estados Unidos, mostra que a cascata de hormônios cessa quando eles chegam ao conforto do lar depois de um dia cheio no trabalho. Com elas só acontece a mesma coisa se vivem um casamento feliz, com um companheiro parceiro também em casa. Na luta pela igualdade entre os gêneros, a mulher conquistou o direito ao trabalho e à independência financeira, mas o homem não fez o movimento inverso para equilibrar as relações, ou seja, dividir as tarefas domésticas. “Até há os que cozinham, levam o filho à escola, mas é difícil um homem que arrume a casa, administre a empregada, faça supermercado”, diz a psicanalista Frida Atie, mestre em psicologia clínica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Pesquisa coordenada pela professora Gláucia Diniz, do Instituto de Psicologia Clínica da Universidade de Brasília (UnB), com 500 homens e mulheres casados, no Distrito Federal, confirma esta tese. “Embora ambos se sentissem satisfeitos e dispostos a fazer o possível para o casamento dar certo, o grau de satisfação dos homens foi maior que o das mulheres”, diz ela.
O casamento também traz mudanças no estilo de vida que contribuem para a saúde. “Nas vezes em que fiquei sozinha, fazia menos exercícios físicos e fumava mais. Não fumo há quatro anos”, diz Ana Mannella, 40 anos, casada há seis. Um relatório do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos afirma que os solteiros, viúvos e divorciados são mais propensos a fumar e beber muito. Para Ana, porém, o maior benefício de viver acompanhada é a estabilidade emocional. “A vida de solteira é uma lacuna. Quando estava sozinha, ficava mais deprimida. Além disso, você fica mais exposta a riscos porque sai para a rua até quando não tem vontade, em busca de alguma coisa que nem você sabe o que é.”

Fonte: Isto

Anuncie na Folha de Dourados

Desde 1968 informando Dourados e a Grande Dourados.

Fale com o comercial