Redação –
O município de Dourados vive um cenário de emergência em saúde pública devido ao avanço da chikungunya. De acordo com informativo epidemiológico atualizado neste sábado (4), já foram registradas 3.596 notificações da doença desde o início do ano.
Do total, 2.678 casos são considerados prováveis, sendo 1.314 confirmados, 459 descartados e 1.823 ainda em investigação. A taxa de positividade chega a 74,1%, índice considerado extremamente elevado e que indica intensa circulação do vírus no município.
Segundo o levantamento, a epidemia ainda está em ascensão. A curva de casos apresentou crescimento até a semana epidemiológica 12, e a aparente queda na semana seguinte pode estar relacionada a atrasos na atualização dos dados, comuns em períodos de alta demanda nos serviços de saúde.
A situação também pressiona a rede de atendimento. Dados da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mostram aumento significativo na procura por atendimento: a média diária saltou de cerca de 302 pacientes para 448 após o dia 23 de março.
Atualmente, 32 pessoas estão internadas com suspeita ou confirmação da doença em hospitais da cidade. Entre as unidades com maior número de pacientes estão o Hospital Universitário da UFGD e o Hospital Porta da Esperança.
O número de óbitos também preocupa. Até o momento, cinco mortes por chikungunya foram confirmadas no município, incluindo idosos e dois bebês. Um sexto óbito segue em investigação.
A análise aponta que, embora a doença já tenha se espalhado por toda a cidade, o impacto ainda é maior entre a população indígena. Nas aldeias, foram contabilizados 1.933 casos notificados, com 914 confirmações e 218 atendimentos hospitalares.
As autoridades de saúde alertam que a alta taxa de positividade — muito acima dos 5% considerados limite por organismos internacionais — reforça que a transmissão segue fora de controle. Além disso, a taxa de ataque atual é de 10,14 casos por mil habitantes, indicando avanço significativo da doença na população.
Diante do cenário, o município monitora a evolução da epidemia e reforça a importância de medidas de prevenção, como eliminação de criadouros do mosquito transmissor e busca por atendimento médico ao surgirem sintomas.

