Chacina do Canaã I completa um ano hoje
Relembrando – 24/03/2008
Justamente em uma madrugada de domingo, dia 25 de março do ano passado, a população de Dourados, em especial a comunidade do Jardim Canaã I, foi abalada com uma chacina em que foram vítimas quatro pessoas, sendo um casal e um casal de crianças, fato este ocorrido naquela região periférica da cidade. Devido a este ano ser bissexto, hoje a chacina completa um ano.
Na denominada chacina do Canaã I a polícia agiu rápida e efetuou a prisão dos envolvidos no crime, sendo eles, três rapazes e uma garota menor de idade, que era na oportunidade, namorada do principal acusado das bárbaras execuções que ocorreram na residência das vítimas.
Foram presos pela equipe do SIG (Serviço de Investigação Geral), o mentor e autor da chacina, Cleber Júnior Garces, o Caiçara, 24; a namorada dele, uma adolescente de 14 anos, Fábio Teixeira Severo, o Pato Loco, 23 e Cláudio Eduardo Farias Teodoro, o Dudu, de 18 anos.
Ao ser preso pelos policiais civis, em depoimento, Caiçara friamente confessou ser o autor dos tiros a queima roupa que mataram o pedreiro Abraão Israel Lucas, de 36 anos, a merendeira da escola Filinto Muller, Vera Lúcia Leonardo Daleste, de 48 anos e das duas crianças, Natalia, uma menina de nove anos e Bruno, um garoto de 13 anos, que eram filhas somente do homem.
As crianças estavam passando o fim de semana com o pai, uma vez que elas moravam com a mãe, Maria Judite Oliveira, de 35 anos.
Ainda em depoimento no 1º distrito policial, Caiçara disse que entrou com Pato Loco na casa de Abraão Lucas já com a intenção de matá-lo.
Ao ouvir o barulho da porta que foi arrombada pela dupla, o pedreiro se levantou e questionou ‘o que eles estavam fazendo na casa’, momento em que Caiçara efetuou um tiro contra ele e este acabou caindo sobre a cama.
Despertada com o tiro, Vera Lúcia acordou e disse que ia chamar a polícia, momento em que também foi morta com um tiro na cabeça.
Caiçara ao perceber que Abraão Lucas ainda estava debatendo sobre a cama, se aproximou dele e efetuou um segundo tiro na região do tórax, matando-o na hora.
Com os tiros, Caiçara contou que a menina que dormia em um quarto ao lado do casal levantou e foi até a sala, momento em que recebeu ordem dele para que ela retornasse a dormir.
No momento em que dava ordem a garota, o assassino deu de frente com o irmão dela que dormia em um colchão estendido no piso da sala e este ao tentar se levantar foi morto assim como sua madrasta com um tiro a queima-roupa na cabeça.
Consumado o terceiro assassinato, Caiçara foi até ao quarto onde a menina estava e a executou também com um tiro também na cabeça.
Na consumação da chacina, Pato Loco, que acompanhava Caiçara, evadiu-se do local levando um aparelho de DVD das vítimas em direção a casa da adolescente e entregou o produto do roubo a Dudu que fazia companhia para ela.
Depois de consumar a chacina, Caiçara que atualmente se encontra no presídio de Jatei no aguardo de seu julgamento, se apoderou de um aparelho de som e após pegar a chave do VW/Fusca de cor azul, de Abraão Lucas, e fugiu do local.
O homicida junto com sua namorada, foi até a estrada que liga aquela região da cidade ao Distrito de Panambi e com a ajuda da garota colocou fogo no veículo, em seguida passaram por uma plantação de soja e se dirigiram até a casa dela e dormiram como se nada tivesse acontecido.
Durante a busca aos autores da chacina, que resultou na prisão dos quatro envolvidos, a polícia encontrou a arma usada por Caiçara, um revólver calibre 38, que estava municiado com três projéteis ainda intactos.
Ainda em depoimento Caiçara disse que o que o motivou a cometer a chacina foi uma discussão que teve com Abraão Lucas durante uma festa que ele e seus amigos realizavam na casa de sua namorada, que fica aos fundos da casa das vítimas.
Abraão Lucas teria ido reclamar do alto do som, momento em que aconteceu uma discussão entre ele e Caiçara.
Inconformado com a discussão, Caiçara convidou os amigos para cometer o crime e com Pato Loco se dirigiu até a casa da família enquanto a adolescente e Dudu permaneceram na festa aguardando os dois.
Com as prisões dos quatro envolvidos, permanecem presos somente Caiçara e Pato Loco, após a Justiça colocar Dudu em liberdade, após ele ser processado por crime de receptação e não pelo envolvimento direto na chacina. Já a adolescente após ficar pouco mais de 30 dias em uma instituição de menor, também foi colocada em liberdade.
Com a chacina, no dia 17 de janeiro último a Polícia Civil realizou a reconstituição da chacina, após atender ao pedido do promotor da Vara de Execuções Penais, João Linhares. O promotor disse que a reconstituição teve como objetivo a de confrontar algumas informações contraditórias apresentados pelos réus confessos que estariam nos autos do processo.
Participou da reconstituição somente Fábio Teixeira Severo, o Pato Loco, uma vez que Cléber Júnior Garces, o Caiçara, que é apontado como autor dos tiros não compareceu porque a direção do presídio na oportunidade não havia sido comunicada de que ele teria de ser transportado sob forte escolta policial de Jatei para o local onde cometeu um dos crimes mais bárbaro da história da cidade.
A reconstituição foi coordenada pelo delegado João Alves de Queiroz e pelo perito Geraldo Pinheiro, acompanhado de perto pelo promotor.
Para dar proteção aos trabalhos e principalmente a Pasto Loco a PM juntamente com a Polícia Civil montou um forte esquema de segurança e isolou a casa onde ocorreu a reconstituição. (Waldemar Gonçalves Russo)
Fonte: Folha de Dourados



