SC, SP, MS em um Brasil de permanente violência contra mulher. Já são 26 feminicídios no Mato Grosso do Sul

Por Mariana Rocha e Gabriela Vianna –

Em Santa Catarina, uma juíza tortura criança de 11 anos grávida de um estupro, criando narrativas para induzir a continuidade de uma violência. Em São Paulo, a procuradora-geral de um município foi espancada dentro de uma repartição pública, por abrir inquérito administrativo, o agressor era também membro da procuradoria municipal.

Desde o assédio moral e sexual até o feminicídio, diferentes dimensões da violência marcam a experiência da vida de mulheres de todas as idades no Brasil e em momentos como esse, onde o Brasil assiste a seguidos absurdos é que a sociedade precisa se perguntar: qual o futuro que tem construído o Brasil para as meninas e mulheres?

Segundo o estudo de 2021 “A vitimização de mulheres no Brasil” 1 em cada 4 mulheres brasileiras (24,4%) acima de 16 anos afirma ter sofrido algum tipo de violência ou agressão nos últimos 12 meses, durante a pandemia de covid-19. Isso significa dizer que cerca de 17 milhões de mulheres sofreram violência física, psicológica ou sexual no último ano.

Em 2022, ainda na metade do ano, e escândalos de violência contra mulheres e meninas tomam as redes sociais e os meios de comunicação todos os dias e parece que assistimos a humanidade virar areia em nossas mãos.

O feminicídio

Casos de violência envolvendo meninas e mulheres acendem o alerta para qual futuro estamos construindo?

O feminicídio é uma expressão para violência fatal  que atinge as mulheres nas sociedades marcadas pela desigualdade de poder entre os gêneros , como tipo penal, Feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo simples fato de ser mulher.

Para quebrar a invisibilidade e a normalização do problema, precisamos falar dele, da necessidade de uma atividade legislativa que consiga segmentar os variados tipos de violência os estereótipos construídos e denunciar desigualdade de gênero, raça, orientação sexual, conhecendo a dimensão de como agir para desnaturalizar essas práticas tão enraizadas nas relações humanas ou desumanas.

Mato Grosso do Sul: 26 feminicídios já foram registrados no ano de 2022

Casos de violência envolvendo meninas e mulheres acendem o alerta para qual futuro estamos construindo?

(Na montagem, algumas das vítimas de feminicidio em 2022, no Mato Grosso do Sul)

Em Mato Grosso do Sul, até o dia 22 de junho de 2022 foram registrados 26 feminicídios, estas mulheres foram cruelmente assassinadas, deixando filhos, família e toda uma vida para trás. Políticas Públicas estaduais são desenvolvidas, que por sua vez orientam os municípios para seguir um calendário de atividades pautadas por datas significativas para a política de enfrentamento à violência contra mulher. Casos absurdos se somam em todos os cantos do estado, crianças ficaram órfãs, famílias perderam pessoas queridas.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2021 os estados que registraram as maiores taxas de feminicídio – muito superiores à média nacional – foram Tocantins (2,7), Acre (2,7), Mato Grosso do Sul (2,6), Mato Grosso (2,5) e Piauí (2,2)

A despeito dos programas, atividades, palestras e capacitações feitos até então, o cenário em 2022 é de grande preocupação, os Prefeitos precisam assumir o compromisso, discutir orçamento para ações contínuas e sustentabilidade para os organismos de proteção à mulher. Segundo o “Mapa do Feminicídio de Mato Grosso do Sul”, no ano de 2021, dos 34 feminicídios ocorridos, em 32 atos de violência contra a mulher foram nos municípios do interior do Estado de MS, correspondendo um número de 94%.

O que assistimos no Mato Grosso do Sul é uma estrutura de um interior violento, numa cultura social que privilegia muito o “papel do macho”, idealiza uma personalidade violenta do que é masculino, colocando a mulher sempre em segundo plano no que diz respeito à sua visibilidade, seus direitos e suas escolhas. A situação é normalizada por muitos. 

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