Casos como de Madeleine são comuns no Brasil
Brasil – 17/08/2007
Dramas como o da menina britânica Madeleine, cujo desaparecimento é acompanhado pela imprensa mundial, são comuns no continente americano, principalmente no Brasil, onde todos os dias uma média de quatro crianças menores de 12 anos desaparecem.
Separação dos pais, problemas de conduta, negligência, pobreza, adoções ilegais, violência sexual, tráfico humano e até rituais de magia negra explicam uma estatística que chama pouca atenção no mundo. O caso Madeleine, em que uma menina de quatro anos desapareceu em Portugal, onde os pais passavam férias, chamou atenção internacional pela ampla cobertura da imprensa e pelo interesse de personalidades como o papa Bento XVI e o jogador David Beckham, mas isso não é o comum, afirmaram especialistas no tema. No continente americano, várias famílias, a maioria delas pobres, sofrem um drama parecido, mas no anonimato. A Secretaria Especial dos Direitos Humanos do Brasil calcula que todos os anos acontecem cerca de 40 mil desaparecimentos temporários de crianças e adolescentes no país. Brasil Três em cada quatro casos são resolvidos nas primeiras 48 horas, pois a maioria são ‘fugas voluntárias’ de adolescentes provocadas por maus tratos, abuso sexual, incesto ou uso de drogas. Do total, cerca de 10 mil são crianças menores de 12 anos, das quais ‘entre 10% e 15% demoram muito tempo para serem encontradas’, o que representa aproximadamente quatro desaparecimentos por dia, de acordo com a Secretaria. O órgão patrocina a Redesap, uma rede nacional de busca, e atribui a maioria dos casos à violência doméstica, conflitos judiciais por guarda, extravio, negligência, acidentes, exploração sexual, extorsão e extermínio. No Estado de São Paulo, a rede ‘Caminho de Volta’, que tenta identificar menores desaparecidos e reagrupar os lares, tem 530 famílias registradas que continuam procurando pistas sobre as crianças. A Delegacia de Pessoas Desaparecidas do Estado recebeu 9.235 denúncias no ano passado. Deste total, 2.329 continuam sem solução. O ex-coordenador nacional da Redesap, Alexandre Reis, afirmou que dos 10 mil casos de crianças desaparecidas por ano no Brasil, ‘quase 90% são resolvidos rapidamente’. O restante ‘demora para ser solucionado’, muitos mudam de estado ou são tirados do país e cada ano. ‘Entre 50 e 100 são assassinados após o desaparecimento’, disse. Infelizmente, as crianças desaparecidas ‘não são notícia de jornal’ porque são pobres, acrescentou Reis. A organização Mães da Sé, de São Paulo, registra 3 mil casos não resolvidos, de crianças de nove meses a 12 anos, explicou a presidente, Ivanise Esperidião Silva. No resto da América, histórias similares despertam maior interesse público e a grande imprensa destaca casos de crianças perdidas, algumas roubadas nas maternidades ou seqüestradas. Outros países Diferente do Brasil, os Estados Unidos, cuja população equivale quase à do restante da América, registra apenas 32 ‘menores de idade em paradeiro desconhecido’, de acordo com dados do FBI. No Chile, o site Latino-americanos Desaparecidos registra 957 denúncias de menores de 18 anos desaparecidos no primeiro semestre deste ano, das quais 739 já foram resolvidas. Mas os chilenos não esqueceram a história de 14 meninas pobres seqüestradas e assassinadas nos anos 90 por um psicopata e cujas desaparições foram ignoradas pela Polícia e catalogadas como ‘abandono de lar’. Em Honduras, a organização humanitária Casa Aliança denuncia o constante desaparecimento de ‘dezenas’ de menores, alguns dos quais foram localizados no Canadá, no México e na Guatemala, vítimas de prostituição e toxicomania. A associação Pró Busca de El Salvador registra 780 denúncias documentadas, a maioria sobre menores de sete anos, das quais 317 foram solucionadas. Na Costa Rica, a rede Save the Children contabiliza 83 casos, dos quais 14 são de menores de 12 anos. A Procuradoria Geral da Colômbia analisa a possibilidade de desaparecimento para prostituição infantil e tráfico de órgãos, pedofilia e ‘satanismo’. Segundo a Unicef, grupos armados ilegais têm entre 7 mil e 11 mil crianças como combatentes forçados. No Peru, a ONG Capital Humano e Social Alternativo somou 704 desaparições no ano passado, incluindo 91 adolescentes. Enquanto isso no Equador, os registros policiais de desaparecimentos de crianças passaram de 440 no ano 2000 para 1.240 em 2006, de acordo com o governo.
Fonte: Redação Terra



