Captação de rins pós-morte caiu pela metade em 4 anos
Saúde – 26/10/2008
A fila de pessoas à espera de um doador de rim aumenta na mesma proporção que a angústia dos renais crônicos. No entanto, o número cirurgias que poderão colocar um fim ao sofrimento dos pacientes não cresce no mesmo ritmo. Nos dez meses deste ano, apenas oito transplantes de doares mortos foram feitos em Mato Grosso do Sul.Há quatro anos, José Roberto Ost, 55 anos, faz hemodiálise. Ele está pronto para receber um transplante e engrossa a fila que tem mais de 300 pessoas à espera de um rim. “Se cirurgias continuarem a ser feitas com esta freqüência, somente daqui 30 anos o último da fila opera”, reclama. O presidente da Recromasul (Associação de Doentes Renais Crônicos e Transplantados de Mato Grosso do Sul), Gesivaldo Carlos, explica que aguarda resposta para o pedido de investigação, protocolado ano passado no MPE (Ministério Público Estadual) sobre o problema.No procedimento a entidade pede que seja analisada a causa da redução dos transplantes de “doadores cadáveres”. Segundo Carlos, em 2003 foram feitos 26 transplantes de rins de pessoas que tinham falecido, no ano seguinte foram 18 enquanto em 2005 foram 17. O número de operações passou a cair de forma ainda mais acentuada em 2006, quando foram feitas 12, em 2007 foram dez e, de janeiro a outubro deste ano apenas oito.Atualmente, 1.1 mil pessoas fazem hemodiálise em Mato Grosso do Sul. “Neste caso, a tendência é aumentar a fila”, completa o presidente da Recromassul.A assessoria de imprensa do MPE esclarece que desde o ano passado é investigada a redução da capacidade de captação de rins e a realização de transplantes de rins. A promotora Sara Ricarte, responsável pelo caso, decidiu ampliar a investigação e averiguar a situação de todos os procedimentos.A promotora já requisitou informações dos hospitais credenciados a realizar a operação e das Secretarias de Saúde para avaliar a situação. Caso seja constatada alguma irregularidade, o caso poderá dar origem a ação civil pública.Em baixa – A coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Claire Miozzo, admite que o número não é bom. “Já tivemos anos melhores”, pontua. Entretanto ela aponta que foram feitos 30 transplantes de rins de doadores vivos, quando a pessoa encontra na própria família uma pessoa compatível e disposta a doar o órgão.A coordenadora da central de captação de órgãos da Santa Casa, Adriana Santos da Silva Bottaro, afirma que as condições para uma pessoa com morte encefálica tornar-se doadora são bastante particulares. Conforme Adriana, precisa ser feita uma triagem, ou seja, não pode ter doença contagiosa ou infecção, a causa da morte tem que ser conhecida e, precisa ter um familiar próximo que autorize a doação. Outra causa aponta por Adriana é irônica. Ela acredita que a redução nestas cirurgias deve-se à melhoria no atendimento médico, que, consegue salvar vidas de vítimas de acidentes, por exemplo. Ela atribui a queda nas operações à redução dos casos de morte encefálica.
Fonte: CG News



