Caos aéreo e briga pela liderança derrubam lucros
TAM e Gol – 11/01/2008
O caos aéreo, somado a um ambiente de grande competição entre as companhias, tirou mais de R$ 400 milhões de lucro das líderes TAM e Gol. Depois da lucratividade astronômica registrada em 2006 – juntas, elas lucraram R$ 1,3 bilhão, segundo as normas contábeis americanas -, para 2007, apesar do aumento da receita, a expectativa de analistas é de um lucro de R$ 857 milhões. Pelas projeções do Deutsche Bank, a Gol deve lucrar R$ 276 milhões e a TAM, R$ 581 milhões. “O ano de 2008 vai ser um pouco melhor, mas não vai recuperar os níveis de 2006 pois ainda há muitos gargalos de infra-estrutura”, avalia o analista de aviação do Deutsche Bank, Bernardo Carneiro, que prevê lucros de R$ 594 milhões para a Gol e de R$ 685 milhões para a TAM este ano. “As operações hoje são menos eficientes, as companhias estão consumindo mais combustível, gastando mais com pessoal extra em terra e nos aeroportos.”Além dos custos maiores com o caos aéreo, as companhias ainda trouxeram muitos aviões por causa da briga no mercado doméstico – e o crescimento do número de passageiros transportados não acompanhou o aumento da oferta. A disputa das duas líderes se acentuou a partir da compra da Varig pela Gol, no final de março. Com a Varig, a Gol ficou muito próxima da TAM em participação no mercado doméstico, e se transformou em um sério concorrente no mercado internacional.Para o consultor de aviação Paulo Bittencourt Sampaio, a tendência é um aumento ainda maior de concentração de mercado nas mãos de TAM e Gol/Varig, que já controlam 92% do mercado. “Ficamos sem a BRA, e a OceanAir não está conseguindo crescer.”Em 2008, porém, o grande foco da disputa entre os dois grupos é o mercado internacional – e quem deve sair ganhando é o passageiro. “Vai haver um grande esforço das duas para atrair passageiros que foram para as companhias estrangeiras, e isso vai resultar em tarifas mais baixas”, afirma Sampaio.A TAM, que já tem uma ampla presença na Europa e nos Estados Unidos, promete novas freqüências saindo do Rio de Janeiro para os EUA. A Varig deve voltar a voar para os EUA, e também pretende ampliar as freqüências de seus destinos na Europa.Além de acelerarem as encomendas de jatos, as companhias estão investindo em conforto para atrair o passageiro que começa a se acostumar com o padrão das estrangeiras. Só a TAM investiu US$ 60 milhões em entretenimento de bordo, valor que inclui a compra de monitores individuais para cada poltrona e um sistema que permite a troca de mensagens de texto entre passageiros. O interior dos aviões – juntamente com toda a estratégia de marketing para recompor a imagem abalada pelo acidente em Congonhas – é uma preocupação direta da presidente do Conselho de Administração da TAM, Maria Cláudia Amaro, que contratou sua decoradora pessoal, Aline Cobra, para redecorar os jatos. Na corrida para ocupar o espaço deixado pela velha Varig antes que a nova Varig o fizesse, a TAM acabou despadronizando sua frota. Hoje, ela opera quatro modelos diferentes no mercado internacional: A330, A340, MD-11 e 767. Em julho, chegam quatro Boeings 777, que substituirão os MD-11. “Com essa frota, para ganhar dinheiro, só com um nível de tarifa muito alto”, diz um executivo do setor. Procurada, a TAM não quis comentar. Outro passo importante para conquistar e, sobretudo, manter o passageiro, será dado este ano: a adesão a uma aliança internacional. A TAM está bem próxima de anunciar sua entrada na StarAlliance, aliança que durante anos tinha a Varig como parceira. A Varig também deve definir um novo parceiro, mesmo que a entrada oficial fique para o ano que vem. No mercado, comenta-se que a opção seria a SkyTeam. “Vamos entrar em alguma aliança, mas estamos primeiro fazendo a lição de casa”, diz o diretor-comercial da Varig, Lincoln Amano. “Precisamos arrumar o produto, organizar os vôos e fortalecer a distribuição doméstica.”
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Fonte: Folha de Dourados



