Canibal de Mundo Novo vai a júri popular amanhã
Polícia – 29/07/2009
Está marcado para amanhã o julgamento de Gilmar Alberto Wasckman, 45 anos, acusado de matar, comer as vísceras e beber o sangue de Aparecido Antônio da Silva, de 53 anos, crime ocorrido dia 23 de novembro de 2007, em Mundo Novo. Gilmar foi ajudado por um adolescente de 16 anos no único caso de canibalismo comprovado no Estado.
O adolescente já cumpre pena disciplinar em uma Unei (Unidade Educacional de Internação) e deverá ser ouvido como testemunha durante o julgamento. O promotor Eduardo De Rose denuncia Waskman por homicídio qualificado por dois agravantes: sem dar chance de defesa à vítima e motivo fútil, e também por vilipêndio (desrespeito) de cadáver, no caso a prática de canibalismo.
O promotor acredita que o acusado deva ser condenado a pena superior a 20 anos de reclusão. Ele será julgado por sete pessoas da comunidade, que integram o corpo do júri. As chances de condenação são grandes pelo horror que o crime causou na população. “Já fiz mais de 50 júris e não tem nada comparado a isso. As fotos são chocantes. Igual a isso acho muito difícil acontecer.”
Aparecido era pessoa simples, vivia de bicos, limpando terrenos, fazendo diárias. Mas era muito querido na cidade e de família tradicional, que inclusive empresta nome a rua, explica o promotor. Waskman será defendido pela defensora pública Marta da Silva.
À Polícia tanto Waskman quanto o adolescente confessaram a prática de canibalismo, mas em depoimento ao juiz, negaram. Entretanto, a Promotoria tem provas da prática. Marcas de dentes no fígado da vítima, copos sujos de sangue.
O adolescente já foi julgado e condenado, cumpre medida sócio-educativa em uma Unei (Unidade Educacional de Internação) e deve ficar lá por cinco anos, acredita o promotor. “Duvido que o juiz solte ele antes dos 21 anos”.
O crime
O assassinato de Aparecido Antônio da Silva ocorreu em horário não definido do dia 23 de novembro de 2007, já que tanto Gilmar quanto o adolescente estavam embriagados e não se recordam do momento exato da morte. O motivo: ciúmes. Aparecido mantinha um relacionamento amoroso com o adolescente, mas naquela noite flagrou o garoto com Waskman. Eles discutiram. A dupla, então, teria decidido se livrar de Aparecido.
Waskman e o adolescente foram até a casa da vítima e, com uma faca, degolaram Aparecido. Depois fizeram uma perfuração no peito e retiraram algumas vísceras (coração, fígado). Com um copo que apanhou na cozinha GIlmar contou à Polícia que retirou e bebeu um pouco de sangue da vítima; achou o líquido doce.
O adolescente também teria experimentado do sangue. Gilmar ainda arriscou uma mordida em um pedaço do fígado. Tinha gosto amargo, contou à Polícia. No depoimento o autor não aparentava remorso, parecia tranquilo. Ele confessou que o crime teria sido motivado por ciúme, assegura o Ministério Público.
Quem revelou o fato e levou a Polícia até a casa da vítima foi o próprio adolescente. Ele estava todo ensanguentado e desorientado; o dia já amanhecia quando chegou à delegacia dizendo que em companhia de Gilmar haviam matado e comido uma pessoa. Os policiais demoraram a acreditar no ocorrido. Ao chegar à casa da vítima viram que estavam diante de um fato brutal sem antecedentes no Estado.
Gilmar dormia em sua casa, também todo ensangüentado. Foi preso e confessou tranquilamente o crime. Além de matar e retirar as vísceras da vítima, com a mesma faca ele dilascerou o cadáver; fez cortes nas pernas, nos órgãos genitais e em outras partes.
Fonte: Midiamax



