Candidatura de João Grandão depende de Tetila e Delcídio
Reservadamente, JG tem dito que se o partido precisar dele ele topa a parada, mas se Tetila e o senador Delcídio do Amaral quiserem
Eleições 2008 – 25/02/2008
Entre os partidos que postulam encabeçar chapa para eleger o sucessor do prefeito Laerte Tetila, o PT é o que vive o momento mais delicado, mesmo porque trabalha com a possibilidade de administrar o município por 12 anos consecutivos. Historicamente os petistas têm a característica de debater a exaustão suas divergências e seus projetos políticos, através de mais de uma centena de grupos, que formam as tendências.
Tetila é um político pragmático e extremamente racional. Ao perceber que o processo eleitoral parta sua sucessão estava sendo prematuramente polarizado entre pré-candidatos do PDT, PMDB e DEM impôs ao diretório municipal a definição de uma pré-candidatura. Deu o secretário municipal de Governo, Wilson Biasotto, que arregimentou ampla maioria no dos petistas, com apoio decisivo da DS, a tendência liderada pelo ex-deputado federal João Grandão.
Ocorre que no PT existe a possibilidade de prévias quando o nome lançado pelo diretório não consiga a unanimidade no conjunto do partido. Foi o que aconteceu com Biasotto, já que o ex-vice-governador, Egon Krakhecke, a vereadora Margarida Gaigher e o presidente da Cassems, Lauro Sérvio David, continuam pré-candidatos e querem as prévias.
Se não bastasse essa divergência, surgiu um outro fator que vem atormentando os petistas e eventuais partidos coligados: a densidade eleitoral de João Grandão nas pesquisas quantitativas de petistas e dos adversários, onde lidera com folga entre os nomes do PT. Mesmo que Biasotto tenha decolado de 2% para 8%, o poder de fogo de JG não deve ser menosprezado, avaliam lideranças do partido.
Mas, politicamente, João Grandão não pode, neste momento, se posicionar como candidato porque apóia Biasotto e tem receio de que seu suposto envolvimento na “máfia das ambulâncias” possa inviabilizá-lo, embora no auge das denúncias, em 2006, tenha tido mais de 16 mil votos em Dourados quando buscava mais uma reeleição. Conseguiu a primeira suplência do PT com mais de 42 mil votos e até hoje não foi ouvido pelo Ministério Público Federal para falar sobre as denúncias.
Reservadamente, JG tem dito que se o partido precisar dele ele topa a parada, mas se Tetila e o senador Delcídio do Amaral quiserem. O prefeito por ser, hoje, a principal liderança do partido em Dourados com cargo eletivo e o senador pelo prestígio e, principalmente, pelo poder de angariar recursos para a campanha. Uma outra condição seria a anuência de Biasotto. Se nada disso acontecer, João Grandão diz não aceitar em hipótese nenhuma que seu nome seja incluído nas prévias. (JHM).
Fonte: Folha de Dourados



