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Campanha será criada para mudar nome do Aeroporto Municipal

Dourados – 06/07/2012

 
O advogado criminalista Isaac Duarte de Barros Junior, está sugerindo a criação de uma campanha com a finalidade de mudar o nome oficial do aeroporto municipal de Dourados, de Francisco Matos Pereira para Osvaldo Barbosa Borges, conhecido popularmente como Osvaldinho ou Comandante Osvaldo.
Para o criminalista o propósito da campanha seria homenagear alguém expressivo do setor e que tem tudo a ver com o nossa aviação como o comandante Osvaldo Borges, ao invés de insistir-se na preservação do nome, de quem “possivelmente nunca pilotou, ou sequer foi passageiro de um avião”.
“A memória do douradense se perde nos labirintos do esquecimento e ao emprestar nomes ilustres para colocar em algum lugar, deixa-se muito a desejar no tipo da escolha, homenageando-se apenas memórias e não os feitos importantes de empreendedores que por aqui passaram”, disse o advogado.
Desse modo o despropósito aconteceu com o aeroporto douradense, que recebeu o nome de Francisco de Matos Pereira, que muito pouco ou quase nada contribuiu para o desenvolvimento da aviação local, o que não se pode dizer de Osvaldinho, que foi o primeiro dono de uma empresa de taxi aéreo da região, além de implementar a instalação do primeiro posto de combustível para aviões de Dourados.
 

Dentre as contribuições de Osvaldo para a aviação local, Isaac lembrou do transporte de enfermos e pessoas mortas, altas cifras bancárias, fazendeiros e empresários para os mais diferentes lugares. Sua empresa de taxi aéreo chegou a totalizar quatro aeronaves, fazendo esse trabalho pioneiro. O piloto Osvaldinho, ainda como instrutor, ensinou jovens douradenses a pilotar, participando ainda de aterrissagens nas pistas improvisadas em propriedades rurais da região.
Pilotos dedetizadores, que antigamente operavam exterminando pragas nas lavouras, muitos vieram morar em Dourados, incentivados por esse hábil aeronauta, que chegou a Dourados migrando do interior do estado de São Paulo e morreu de doença aos 66 anos de idade, deixando a filha Maria José que ainda hoje mora em Dourados.
Wilson Souto que foi casado com a única filha mulher do comandante Osvaldo, Maria José, disse à reportagem do Dourados News que caso o nome do aeroporto seja mudado, seria uma justa homenagem a quem realmente foi pioneiro na aviação, tendo contribuído imensamente na migração dos agricultores gaúchos no início da década de 1970, quando Dourados quase não era servido por estradas, sendo a aviação o meio de transporte mais apropriado para cobrir longas distâncias em um espaço de tempo reduzido, como para manutenção das máquinas agrícolas que na época era feita no Sul do País.
Outro nome
Mudanças em nome de aeroportos não é novidade no Brasil, uma vez que no final dos anos 1990 um dos maiores aeroportos do Brasil, o Galeão no Rio de Janeiro teve o nome trocado para Antonio Carlos Jobim, reconhecido maestro brasileiro. Outro aeroporto que trocou de nome foi o de Salvador, que passou de Dois de Julho para Luiz Eduardo Magalhães, deputado Federal pela Bahia, morto vitima de ataque cardíaco em 1998, e hoje tramita no Congresso Nacional, projeto de lei de autoria do deputado Luiz Alberto (PT/BA), que propõe o retorno do nome para “Dois de Julho”, uma das datas mais importantes para o povo baiano, que comemora a vitória dos brasileiros sobre os portugueses na guerra da Independência.

Leia abaixo o artigo onde o criminalista propõe a criação da campanha:
Do aeródromo ao aeroporto
Do percurso entre a inauguração do aeródromo douradense até o seu atual status de aeroporto, como sempre acontece na hora de homenagear alguém expressivo ligado ao setor, a memória local se perde nos labirintos do esquecimento. Como é corriqueiro na municipalidade, ao emprestarem-se nomes ilustres para colocá-los em algum lugar, deixa-se muito a desejar no tipo da escolha, homenageando-se memórias.
Desse modo, mais um disparate precipitado ocorreu, este no caso do aeródromo douradense, cuja implantação começou por iniciativa municipal na década de quarenta. Naquele tempo, vigorava a política da “marcha rumo ao oeste”, uma iniciativa do governo Vargas. Nessa época, o município douradense quisesse construir alguma obra, precisava arregimentar munícipes voluntários. Pois, não tinha como pagar ou contratar novos funcionários públicos, sem comprometer a receita.
Daí ter recebido a colaboração do fazendeiro Antonio Emílio de Figueiredo e seus peões, fazendo-os construtores da primeira pista (de terra) no aeródromo da Cabeceira Alegre. Mas esse campo de pouso, nunca foi totalmente operacional, principalmente nos longos períodos de chuva. Nesse lugar sem estrutura, em conexão histórica, aterrissou inclusive uma aeronave da FAB, transportando o presidente Getúlio Vargas, cujo destino era a cidade de Ponta Porã. Foi nessa localidade, depois de churrasquear com os Dorneles, seus parentes, que o estadista decidiu criar a Colônia Nacional Agrícola de Dourados (CAND). Anos mais tarde, igualmente, os presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart utilizariam aquele aeródromo para desembarque, acompanhados de senadores, deputados, generais e brigadeiros.
Dito campo de aviação, também serviu como palco emocional, no desembarque do corpo de Weimar Gonçalves Torres, primeiro deputado federal eleito por Dourados, parlamentar falecido em acidente aéreo nos céus paranaenses. Nunca esqueceram os nossos moradores mais antigos, do espetacular salvamento feito nele, de um avião carregando a bordo doze militares norte-americanos. Esse quase acidente, contam, foi causado pelo mau tempo. Portanto, parte da história aérea douradense, já residiu no local, onde hoje construíram a Praça do Cinqüentenário.
Todavia, esses acontecimentos do século vinte, no antigo aeródromo, deram-se próximos de uma construção feita em madeiras, sem possuir nada técnico incorporado, além da biruta (aparelho capaz de mostrar a direção do vento) e meia dúzia de tambores com gasolina, os quais abasteciam pequenos aviões. Na realidade, únicos equipamentos desse aeródromo em 1968.
Nesse ano, migrando do interior paulista, chegava a Dourados o primeiro piloto da cidade. Essa saudosa figura se chamava Osvaldo Barbosa Borges. Sendo um homem empreendedor, fundou a pioneira empresa de táxi aéreo douradense. Osvaldinho, como era conhecido, pilotando com tempo bom e nublado, transportou enfermos, pessoas mortas, altas cifras bancárias, fazendeiros e empresários. Sua empresa chegou a totalizar quatro aeronaves, fazendo esse trabalho pioneiro.
O piloto Osvaldo Barbosa, ainda como instrutor, ensinou moços douradenses a pilotar, participando com seus colegas, de aterrissagens nas pistas improvisadas em propriedades rurais da região. Pilotos dedetizadores, que antigamente operavam exterminando pragas nas lavouras, muitos vieram morar em Dourados, incentivados por esse hábil aeronauta paulista.
Finalmente, aquele homem dos pioneiros taxis aéreos douradenses, morreu de doença aos 66 anos. Sepultaram seu corpo, após ser trasladado, para repousar o merecido sono dos justos. Sua única filha, ainda reside em Dourados. Todavia, desde a construção do aeródromo douradense na Cabeceira Alegre, agora elevado à categoria de aeroporto em local mais apropriado, muitas décadas se passaram. Entendo, em nome do salutar bom senso, seria meritório, denominá-lo Aeroporto municipal ‘Comandante Osvaldo Barbosa Borges’, cidadão que tudo tem a ver com a nossa aviação pioneira, ao invés de insistir-se na preservação do nome, de quem possivelmente nunca pilotou, ou sequer foi passageiro num vôo de aeroplano…
Isaac Duarte de Barros Junior – advogado criminalista, ex-jornalista. e-mail: [email protected]

Fonte: Dourados News

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