‘Campanha política e debates’, por Waldir Guerra
'Campanha política e debates', por Waldir Guerra
Leia artigo – 21/07/2008
Waldir Guerra*
Faltando apenas 75 dias para as eleições as campanhas políticas, mal-e-mal, começam a engatinhar e isso passa a ser uma preocupação não só para a classe política, mas especialmente para quem tem obrigação de bem conduzir o processo eleitoral.
As restrições judiciais para esta campanha são tantas que agora a Justiça Eleitoral se dispôs a antecipar os debates ao vivo até entre os candidatos ao cargo de vereador. E com razão porque, até aqui, eles estão proibidos de quase tudo para esta eleição e como fazer, então, para mostrarem suas propostas?
A proposição da Justiça Eleitoral – desta Comarca, por enquanto – é que se faça via rádios um debate ao vivo entre diversos candidatos a vereador, previamente sorteados, para que demonstrem suas propostas e suas competências aos ouvintes e consigam, com isso, tornarem-se conhecidos dos eleitores.
Os candidatos majoritários já participaram de dois debates públicos, o primeiro para falar de suas propostas para a Saúde Pública feito na Associação Médica de Dourados. O segundo no auditório da Associação Comercial numa promoção feita pela Rádio Grande FM onde os candidatos a prefeito foram sabatinados a respeito de diversos assuntos.
Ambos os debates foram prejudicados pela ausência do candidato do PDT, Ari Artuzi que alegou já ter distribuído em diversos pontos da cidade seu programa de governo para a área da Saúde Pública douradense – como se dissesse que não via necessidade em comparecer perante os médicos para, pelo menos, ouvir suas sugestões. Pode até ser outro o motivo de não querer enfrentar seus concorrentes. O de se considerar já eleito, por exemplo, mas é muito cedo ainda para pensar assim, apesar de faltar apenas 75 dias. Já houve eleições onde o candidato favorito perdeu nos últimos cinco dias. E é bom que se diga, não era candidato com comportamentos excêntricos, apenas perdeu porque subestimou seus adversários.
Nos dois primeiros debates se fizeram presentes: o candidato Murilo Zauith do partido Democratas, mas que representa uma coligação de 12 partidos e o candidato do PT, Wilson Biasoto, representando uma coligação de vários partidos e também candidato do atual prefeito, Laerte Tetila. Se não foi lá tão empolgante como muitos esperavam serviu pelo menos, esses dois primeiros, para desinibir os próprios debatedores e, com certeza, deixaram-os mais soltos.
O ponto mais alto desses dois primeiros debates? Sem dúvida o comportamento respeitoso entre eles.
Mas voltando às restrições impostas aos candidatos pelas novas regras judiciais que tantas celeumas criaram, é bom saber que, certas restrições agora impostas, estão sendo bem aceitas por quem coordena esta campanha. Estava quase insuportável a quantidade de exigências dos cabos eleitorais; sem contar o tanto de coisas exigidas pelos candidatos a vereador. Campanha política agora é como baile sem música, quem entrar na dança tem que convencer os eleitores tão somente com o ritmo das propostas políticas.
Não deixa de ter razão o Juiz Eleitoral da capital que acaba de determinar o limite máximo a ser oferecido nas reuniões políticas: um café com biscoito! Nada de puchero, nem mesmo bolo. Quem quiser votos tem que mostrar a cara, discutir propostas em público e provar que tem competência para exercer o cargo. Tudo o mais está proibido!
*Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
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Fonte: Folha de Dourados



