Calote deixa empréstimos mais caros
Inadimplência – 11/09/2007
Calote deixa empréstimos mais caros
O calote por parte dos consumidores que contraem dívidas colabora para o alto custo dos empréstimos bancários no Brasil, segundo conclusão de relatório do Banco Central (BC) sobre a evolução do crédito no país. Conforme o estudo, lançado recentemente, o aumento da inadimplência, isto é, da proporção dos empréstimos que não foram pagos em 2006, provocou uma elevação do spread bancário, o que, por sua vez, puxou para cima os juros dos empréstimos. O spread é a diferença entre o custo do dinheiro para os bancos, isto é, quanto os bancos pagam na captação de seus recursos no mercado, e os juros médios que essas mesmas instituições cobram nos empréstimos que concedem aos seus clientes.Vários fatores interferem na composição do spread, como as taxas de administração do banco, os impostos, o próprio resíduo líquido (lucro do banco), além da inadimplência. De acordo com o BC, em 2006, em análise da composição dos itens que formam o spread, o item inadimplência foi o que apresentou mais peso em relação a todos os outros, representando 43,4% da totalidade do spread. Também foi o item que mais cresceu em importância em relação ao ano passado, quando apresentou participação de 35,9% no spread. A taxa de inadimplência acaba sendo embutida, dentro do spread, compondo as taxas de juros dos bancos. É uma forma de o banco se garantir contra os prejuízos causados pelos tomadores de empréstimos que não pagam as suas dívidas.Os juros médios (cobrados de pessoas físicas e jurídicas) estavam em 37% ao ano em junho deste ano e, desse valor, o spread dos bancos representa 26,1 pontos percentuais, segundo o próprio BC. Isso significa que, se a inadimplência cair, a tendência será de que os juros também caiam. Conseqüentemente, seria mais fácil conseguir e pagar um empréstimo.Por isso, é importante adotar o hábito do consumo consciente também ao pensar nos recursos financeiros, para que o indivíduo consiga não só garantir o seu próprio bem-estar, mas também impactar positivamente na economia como um todo, além de contribuir com a sustentabilidade da vida no planeta. Para isso, antes de tomar crédito, o consumidor deve analisar a sua verdadeira necessidade de contrair o empréstimo e a sua real possibilidade de pagar por ele. Se concluir que precisa mesmo tomar o empréstimo, é importante analisar e comparar as taxas de juros e prazos de pagamento oferecidos pelas diversas instituições financeiras do mercado, de modo a poder identificar o que se encaixa melhor nas suas necessidades e possibilidades.Relatório do BC: www.bcb.gov.br/Pec/spread/port/relatorio_economia_bancaria_credito.pdf
Fonte: Banco Central



