Brasil, um dos países impactados pelas tarifas recíprocas de Trump, deve sair beneficiado, já que a decisão tende a favorecer exportações ao reduzir o risco de barreiras sobre commodities e manufaturados.
No sábado, o presidente Trump anunciou a aplicação imediata de uma tarifa geral de 15% às importações norte-americanas.
“No mercado de capitais, a medida ajuda a aliviar prêmios de risco, favorecendo o fluxo para emergentes e reduzindo a volatilidade cambial. Do ponto de vista estratégico, o Brasil ganha espaço para negociar com mais previsibilidade institucional nos EUA, mas isso não elimina a necessidade de diversificar parceiros comerciais”, avalia Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
Para investidores, o especialista afirma que o principal ganho está na redução da imprevisibilidade política, o que melhora a leitura de longo prazo para empresas exportadoras e setores ligados ao comércio exterior.
Haroldo da Silva, presidente do Corecon-SP, vê um recado institucional relevante ao sistema internacional de comércio: a política tarifária volta a ser enquadrada como matéria tributária e, portanto, sujeita ao crivo legislativo. Segundo ele, isso reduz o espaço para medidas protecionistas abruptas e tende a aumentar a previsibilidade das relações comerciais globais. “Trump sai derrotado, mas nada indica que não reagirá”, diz Silva. “Não vejo motivo ainda para comemoração demasiada, pois a instabilidade advinda dos EUA tem sido constante”, pondera.
(Informações Brasil confidencia)

