Brasil prepara programa de ajuda ao Paraguai
Nacional – 11/06/2008
O governo brasileiro está preparando um programa de ajuda ao desenvolvimento do Paraguai, informou o embaixador designado para Assunção, ministro de primeira classe Eduardo dos Santos, cuja mensagem de indicação para o posto recebeu nesta quarta-feira (dia 11) parecer favorável da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.
Um dos pontos desse programa, adiantou, será o apoio à construção de uma linha de transmissão entre a Hidrelétrica de Itaipu e a capital paraguaia. Em seu voto favorável à indicação, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), relator ad hoc da mensagem presidencial, destacou dois pontos principais no relacionamento bilateral: Itaipu e o futuro dos chamados brasiguaios, agricultores brasileiros residentes no país vizinho.
Quanto a Itaipu, o senador observou que tem sido “amplamente difundida” no Paraguai a percepção de que o tratado que deu origem à construção da hidrelétrica, firmado há 35 anos, conteria cláusulas “supostamente lesivas” ao Paraguai.
Em sua exposição aos senadores da comissão, Santos disse que os esforços pelo desenvolvimento e pela estabilidade do Paraguai estão de acordo com os interesses brasileiros. Por isso, observou, o Brasil deve apoiar a implantação, no país vizinho, de novas indústrias que possam usar parte da energia gerada por Itaipu que pertence ao Paraguai.
Além disso, mencionou, o programa de apoio deve conter medidas relativas à cooperação nas áreas de biocombustíveis e turismo. “Trata-se de uma nova agenda integrada para o relacionamento estratégico com esse povo irmão”, definiu Santos.
Durante o debate, o senador Fernando Collor (PTB-AL) desejou boa sorte a Santos na “missão espinhosa” que terá pela frente, em um país onde o presidente eleito Fernando Lugo defendeu em sua campanha eleitoral propostas como a de revisão do Tratado de Itaipu.
O senador afirmou que o novo embaixador em Assunção deverá ter “paciência e firmeza” para defender os interesses brasileiros. “Espalha-se pelo continente um sentimento anti-Brasil, país que chamam de imperialista. O novo governo paraguaio não conquistou maioria no Parlamento e vai precisar de acordos para governar. Meu receio é de que a única forma de se obter a unidade seja a escolha de um inimigo externo comum”, disse Collor.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) considerou de “grande importância” a transição para o novo governo do Paraguai e elogiou a construção de uma linha de transmissão de eletricidade para Assunção. Por sua vez, o senador Romeu Tuma (PTB-SP) alertou para o risco de aumento da violência no campo do Paraguai, por causa das ameaças contra os agricultores brasileiros residentes no país.
Fonte: Folha de Dourados



