Bovespa despenca 4,18% e dólar atinge R$ 1,84
Economia – 23/09/2008
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) despenca nesta terça-feira, arrastada pelas fortes perdas nas ações da Petrobras e Vale do Rio Doce. Os preços de commodities (matérias-primas), como o petróleo sofrem correções hoje, com o fortalecimento do dólar em nível mundial. O mercado também monitora os desdobramentos da crise dos créditos “subprime” e teme pelo pacote dos EUA para enfrentar o problema. O câmbio atinge R$ 1,84.O Ibovespa, índice que reflete os preços das ações mais negociadas, desvaloriza 4,18% e desce para os 49.385 pontos. O giro financeiro é de R$ 2,97 bilhões.A ação preferencial da Petrobras despenca 6,10% enquanto a ação da Vale do Rio Doce retrocede 5,38%. Em Nova York (Nymex), a cotação do barril de petróleo recua 2,7%, para US$ 106.O dólar comercial é cotado a R$ 1,840 na venda, num salto de 2,67%. A taxa de risco-país marca 284 pontos, número 0,35% mais alto que a pontuação anterior.As Bolsas européias concluíram os negócios em baixa, a exemplo de Londres (declínio de 1,91%) e Frankfurt (baixa de 0,64%).Referência global para o mercado de ações, a Bolsa de Nova York ainda tentou resistir à desconfiança dos investidores sobre o pacote de ajuda financeira da Casa Branca, mas virou e registra queda de 0,76%.Prazo curto e dúvidasO mercado permanece em suspense, ainda com incertezas sobre a eficácia do pacote de ajuda financeira para deter os piores desdobramentos da crise dos créditos “subprime”. A Casa Branca quer constituir um fundo, orçado em US$ 700 bilhões , para absorver os créditos problemáticos nas carteiras dos bancos e que geram a crise de confiança no sistema bancário e a paralisia no circuito de crédito.Há dúvidas, no entanto, sobre o montante dos recursos disponíveis face à dimensão dos créditos problemáticos, sem esquecer dos custos para as contas públicas.O calendário legislativo também preocupa investidores e analistas: o Congresso tem pouco tempo para avaliar o pacote da Casa Branca.RecessãoHoje, Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA, e Ben Bernanke, titular do banco central americano, fizeram um apelo ao Congresso para que os legisladores aprovem com rapidez as medidas. “Os mercados financeiros estão em condição frágil e acredito que, na ausência de um plano, eles fiquem em situação pior”, disse Bernanke.”Acredito que se os mercados de crédito não estiverem funcionando, empregos serão perdidos, nossa taxa de crédito vai aumentar, mais despejos vão ocorrer, o PIB [Produto Interno Bruto] vai contrair e a economia não vai conseguir se recuperar de um modo normal, saudável”, acrescentou ele.E o presidente George W. Bush declarou que seu governo “está trabalhando para aprovar esta estratégia [o pacote]’ e que é preciso ‘agir com a urgência que a crise precisa”. “Precisamos trabalhar em termos de metas e nos mantermos firmes em relação às nossas propostas”, disse ele, em discurso na 63ª Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).Cena domésticaNo front doméstico, o Banco Central revelou que sua previsão para o déficit em transações correntes de US$ 28,8 bilhões para este ano, uma piora em relação à estimativa anterior, de US$ 21 bilhões. Trata-se da pior cifra em dez anos.Somente em agosto, as transações correntes do Brasil com o exterior, importante indicador que mede a vulnerabilidade externa do país, tiveram déficit de US$ 1,09 bilhão, resultado melhor que o registrado no mês de julho (US$ 2,111 bilhões). No ano, no entanto, o déficit atinge US$ 20,6 bilhões –no mesmo período de 2007, o resultado era um superávit de US$ 3,045 bilhões.
Fonte: Folha de Dourados



