“Bom senso sempre deveria vir antes da lei”, por Waldir Guerra
"Bom senso sempre deveria vir antes da lei", por Waldir Guerra
Artigo – 03/05/2010
A briga do governo com ecologistas quando se trata de construir uma usina hidrelétrica beira a irracionalidade na maioria das vezes.É o caso agora do que vem acontecendo na construção da usina hidroelétrica de Belo Monte no estado do Pará. São tantas as reclamações dos contrários ao empreendimento que o governo até nem sabe justificar direito suas razões. Na verdade está usando o melhor argumento que tem nas mãos agora: a determinação do presidente Lula, que do alto de sua popularidade impõe goela abaixo – na marra mesmo – a construção desta obra.Os ambientalistas – aqueles sem bom senso – têm como seu melhor argumento para serem contra a construção da usina o alagamento de uma área de terras indígenas onde vivem duas centenas de índios atualmente.É uma lástima, com certeza, que os índios tenham que ser removidos, mas na vastidão amazônica, onde ora estão localizados, não lhes é tão grande sacrifício locomover-se daquele local para outro na proximidade. O governo lhes propõe, assim como tem feito em todos os casos anteriores, dar-lhes muito mais conforto e comodidades no novo lugar do que estão tendo atualmente. Não há, então, porque ter tanta preocupação com eles.Depois, é necessário que os ambientalistas entendam que apesar de outros possíveis prejuízos o benefício que essa energia vai proporcionar ao país é importante demais para todos os brasileiros. As informações dizem que dois milhões de pessoas serão abastecidas com a energia de Belo Monte. O risco vale a pena, então.Todas as previsões mostram que a energia, num futuro bem próximo, terá tamanha importância para as pessoas que, praticamente, não poderão sobreviver sem ela. E o Brasil está correndo sobre seus limites na questão energética, tanto que os apagões estão aí, um no governo de Fernando Henrique e outro recente neste governo Lula para lembrar a necessidade de se ter muita precaução.A maioria dos ecologistas que protestam hoje contra a construção de usinas hidrelétricas nem nascidos eram quando foi construída a usina de Itaipu. Mas dá para imaginar o que teriam feito para impedir sua construção não fosse a existência de uma ditadura militar. (Calma! Nem por isso estou torcendo pela volta de uma ditadura, muito menos de esquerda).A Itaipu é uma realidade hoje e sempre tivemos, desde sua construção, muito orgulho dela. A maior usina hidrelétrica do mundo até poucos dias e hoje a segunda. Foi projetada por nossos engenheiros e construída por empresas nossas. A tecnologia aprendida com ela serviu, e continua servindo muito, para construção de outras grandes usinas. Nas muitas coisas boas que no futuro serão creditadas ao governo Lula, certamente uma delas será o uso de sua imensa popularidade para impor a construção dessa usina, e também das outras mais, como as do Rio Madeira, por exemplo.Pensando bem, por que há tantas ONGs agindo por aí contra a implantação de usinas; a ampliação do plantio de soja e não se vê ONG protestando contra invasões de áreas de risco ou mesmo de áreas públicas?Esse empenho dos ambientalistas poderia trazer efeitos mais benéficos à sociedade moderna se estivesse também voltado ao ambiente das cidades. Os desastres que poderiam ser evitados por exigirem cumprimento das normas de construção e respeito ao meio que nos cerca.Questões relevantes para o país como na construção de usinas hidrelétricas o uso do bom senso deveria sempre prevalecer. * Membro da Academia Brasileira de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
Fonte: Folha de Dourados



