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Bebê dado como morto e retirado vivo do velório: inquérito aponta negligência e indicia médica e enfermeira

Uma enfermeira e uma médica da Maternidade Bárbara Heliodora foram indiciadas por homicídio culposo no caso do recém-nascido que nasceu prematuro e dado como morto na unidade de saúde, em outubro do ano passado. A informação foi repassada pela Polícia Civil na última terça-feira (27) durante coletiva.

g1 entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) e aguarda retorno.

Os nomes das suspeitas não foram divulgadas. O coordenador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Alcino Júnior, explicou que a perícia identificou que houve negligência e falta de cuidados das profissionais nos pós-parto e imperícia com o bebê.

“Ouvimos pessoas que tiveram contato com essa criança, com a paturiente antes da expulsão do feto, bem como a enfermeira que teve o primeiro contato e a médica neonatologista e demais servidores. A investigação conclui por uma contribuição para uma negligência logo após o parto. Essa contribuição foi importante para o óbito final”, explicou o delegado.

O inquérito foi finalizado e encaminhado a Justiça. O Ministério Público Estadual (MP-AC) deve oferecer a denúncia.

O caso chocou a população acreana e fez com que o governador Gladson Camelí determinasse o afastamento da equipe que atendeu o caso à Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre).

A criança não resistiu e morreu por volta das 23h do dia 26 de outubro na Maternidade Bárbara Heliodora, onde estava internado.

Investigações

O delegado Alcino Souza explicou também que ouviu dez servidores durante as investigações, dentre a equipe que atendeu a mãe e a criança inicialmente.

Ainda segundo o delegado, o período de 12 horas, em que o recém-nascido foi dado como morto, deixado no necrotério da maternidade até o sepultamento, foi determinante para o óbito.

“Esse período negligenciado foi importante. Houve um atestado de óbito inoportuno. Foi identificado no laudo indireto pela perícia. A Constituição Federal nos traz a vida como bem maior. Ainda que as possibilidades de vida fossem mínimas a gente tem a obrigação de lutar por ela. Isso serve para nós policiais, o serviço de saúde”, frisou.

Segundo ele, a investigação buscou esclarecer se faltou algum tipo de cuidado durante o atendimento que pudesse contribuir para a sobrevivência do bebê. “O que nos parece, o que trouxe o final desse inquérito, é que faltou negligência nesse sentido, ainda que a sobrevida fosse precária”, resumiu. (Informações g1)

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